30.1.08

SUSTENTABILIDADE NA ARQUITETURA E NO URBANISMO: UMA PROPOSTA PARA A CRIAÇÃO DO JARDIM BOTÂNICO DE TERESINA.

O objetivo deste artigo é divulgar o trabalho que vem sendo realizado para a elaboração do projeto arquitetônico para a criação do Jardim Botânico de Teresina, que vem sendo desenvolvido pelo grupo de pesquisa em projetos do curso de arquitetura e urbanismo da UFPI, coordenado pela Prof.dra. Alcilia Afonso. A proposta conta inclusive, com o aval do IBAMA e da secretaria Municipal de Planejamento, através dos técnicos da Agenda 21 e trabalha como base conceitual, a arquitetura sustentável e bioclimática, relacionada com a racionalidade arquitetônica.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes gerações futuras”.

Dessa forma, o projeto de criação do Jardim Botânico de Teresina tem como objetivos, promover a pesquisa, a conservação, a preservação, a educação ambiental e o lazer compatível com a finalidade de difusão da flora e sua utilização sustentável; proteger espécies raras ou silvestres, ameaçadas de extinção; promover intercâmbio cientifico, técnico e cultural com entidades e órgãos nacionais estrangeiros, estimulando e promovendo a capacitação de recursos humanos, além de desenvolver uma política de educação ambiental: uma área que além de preservar o meio-ambiente, possa proporcionar ao cidadão, opções de lazer, ócio e ao mesmo tempo, inseri-lo no processo de educação ambiental.

A metodologia trabalhada vem a ser a aplicada na disciplina de projetos arquitetônicos, trabalhando inicialmente com o reconhecimento da realidade construída, levantando dados in loco, sobre as condições do entorno, do terreno, da quadra e o bairro, bem como os aspectos históricos e culturais que estão relacionados com aquela região urbana. Posteriormente, foi realizado um estudo

sobre a legislação e uso do solo, e uma avaliação sobre os condicionantes naturais: dados climatológicos, topografia, vegetação e tipo de solo.

Após o diagnóstico realizado na primeira etapa do projeto, foi elaborado um programa de necessidades, no qual ouviu-se os agentes diretamente envolvidos com o futuro Jardim Botânico.

O programa de necessidades do Jardim Botânico de Teresina proposto abarca um setor administrativo; núcleos de educação ambiental, composto por oficinas de arte educação e ambiente, bibliotecas, auditório e museu de ciências naturais; núcleo de pesquisa ambiental, composto por laboratórios para estudo da fauna e flora, herbários, biblioteca setorial; jardim dos sentidos com infra-estrutura para apoiar a visitação de deficientes físicos como opção de lazer e tratamentos para sensibilização de odores, sons, toques; uma praça de alimentação para apoiar as visitações dos estudantes à área, com refeitórios, baterias sanitárias e cozinha de apoio; além de um tratamento paisagístico adequado para as trilhas, trabalhando com a limpeza das vias, sinalização e mobiliário urbano (lixeiras, bancos, postes e iluminação) das mesmas, além de beneficiar também o acesso a deficientes físicos para que possam usufruir da área.

A intervenção arquitetônica nos edifícios projetados trabalhou baseada nos princípios de sustentabilidade ambiental, dado ênfase desde o inicio à correta implantação dos novos edifícios, privilegiando a escolha de áreas, que minimizassem os problemas de extensão da infra-estrutura, também, levando-se em consideração a recuperação de áreas degradadas no parque, que necessitam de imediatas intervenções, após análises realizadas pelo diagnóstico.

Sem dúvida, no caso da cidade de Teresina, possuidora de uma latitude de 5º sul, a orientação solar é o elemento mais importante para o desempenho energético dos edifícios projetados. Por isso, a atenção dada à correta orientação dos edifícios foi fundamental no partido arquitetônico adotado, a fim de solucionar o problema climático teresinense, que chega a temperaturas dos 40º , com a inexistência de uma ventilação constante, uma vez que a capital piauiense está implantada a 350km do litoral, possuindo características geográficas que favorecem o aquecimento.

A questão das aberturas dos edifícios e seus devidos fechamentos também foi outro ponto importante considerado no projeto, observando-se a compatibilidade destes com a orientação dos mesmos. Complementando-se tais recursos, com a utilização correta de especificações de materiais, estudando-se não somente a energia acumulada durante o uso, mas também aquela eventualmente absorvida em sua produção, evitando a utilização de materiais inadequados para a realidade sócio-cultural e econômica local.


Figura 01: Proposta desenvolvida por equipe de alunos utilizando soluções racionais e bioclimáticas em plantas e volumetrias dos edifícios.(3D:Valério Araújo)

Figura 02: Nas propostas do grupo foram trabalhados recursos que buscam a sustentabilidade dos edifícios, com atenção especial à melhoria climática.(3D:Valério Araújo)

RESULTADOS PARCIAIS

Após a realização das etapas do projeto, compostas por diagnóstico da área, estudos preliminares, anteprojeto e elaboração de propostas para o projeto básico, o próximo passo a ser dado será a apresentação do mesmo às autoridades municipais, estaduais e federais envolvidas com a gestão do meio-ambiente em Teresina, a fim de que algo seja feito no sentido de retirar do abandono no qual se encontra, a área verde de 32 hectares localizada no bairro do Mocambinho.As propostas desenvolvidas pelo grupo de pesquisa alcançaram um excelente grau projetual que merecem ser consideradas pelas autoridades públicas e serem aproveitadas em prol da melhoria da qualidade de vida da comunidade teresinense, que urge por qualificação urbana ambiental.

AGRADECIMENTOS

Ao IBAMA/ Piauí; a Secretaria Municipal de Planejamento; e aos alunos do grupo de pesquisa em projetos arquitetônicos da UFPI, que colaboraram no desenvolvimento da pesquisa e das propostas: Ana Rosa Negreiros, Valério Araújo, entre outros.

BIBLIOGRAFIA

ANDREOLI ,E & Adrian Forty.(2004). Arquitetura Moderna Brasileira. Londres:Phaidon.700p.

CUNHA, E (coord). (2005) Elementos de Arquitetura de Climatização Natural. 2ed. Passo Fundo: UPF, 180p.

DEL RIO, V. (1990).Introdução ao Desenho Urbano no processo de planejamento. São Paulo: Pini.320p.

HOLANDA, A (1976). Roteiro para construir no nordeste. Arquitetura como lugar ameno nos trópicos ensolarados. Recife: UFPE. MDU.90p.

LAMAS, J.M.G.(2000) Morfologia Urbana e desenho da cidade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.630p.

LYNCH, K.(1980). Planificación del sitio. Barcelona. Ed. Gustavo Gili.520p.

PIÑON, H. (1998).Curso Básico de Proyectos. Barcelona: Ediciones UPC.200p.

PIÑON, H. (2006). El Proyecto como (Re)Construcción. Barcelona: Ediciones UPC.260p.

PIÑON, H. (2005-2006). Materiales de proyecto. volumes 1,2,3.Barcelona: ETSAB.300p.

18.1.08

A atuação da mulher na arquitetura.


Um fato vem me chamando a atenção como arquiteta e professora universitária: a quantidade de mulheres que estudam e atuam no mercado arquitetônico. De duas turmas que leciono no curso de arquitetura e urbanismo da UFPI, apenas 23% são do sexo masculino, o que claramente demonstra a predominância das mulheres na arquitetura.

Infelizmente, apesar de tal fato, o mercado ainda é machista em determinadas áreas, como, por exemplo, ocorre com a elaboração de projetos arquitetônicos de grandes empreendimentos, ficando destinados às mulheres, projetos de arquitetura de interiores, ou mesmo, a área de ensino, pesquisa, preservação e paisagismo.

Mas, cabe a nós, arquitetas, profissionais liberais ou não, reforçar o nosso papel nesta sociedade e a importância do nosso trabalho em todos os campos da arquitetura e do urbanismo. Esta coluna, portanto, será dedicada a divulgar o trabalho de brilhantes arquitetas internacionais, nacionais e locais que muito vêm contribuindo para o desenvolvimento do saber arquitetônico em todas as partes do mundo, como veremos a seguir com arquitetas de origem alemã, italiana, iraquiana, japonesa, e brasileiras.


Lilly Reich




Designer alemã, nascida em Berlim, em 16 de Junho de 1885, foi companheira pessoal e profissional do arquiteto Mies Van der Rohe, durante treze anos(1925/1938). Aos 29 anos (1914) abriu seu próprio escritório onde realizou uma série de trabalhos, e em 1920, tornou-se a primeira mulher diretora do Deutsche Werkbund, a Bauhaus, a mais importante escola de arte e arquitetura vanguardista do século XX, que revolucionou os conceitos e a prática profissional na época. No período no qual trabalhava em parceria com Mies, criou uma série de 15 cadeiras, que se tornaram peças clássicas do design moderno, entre elas as poltronas Barcelona e Brno. Seu trabalho era reconhecido pela limpeza plástica, discrição e elegância.Sem dúvida, é um dos principais nomes do design moderno, havendo contribuído bastante com os projetos de Mies na época para o Pavilhão de Barcelona e a casa Tugendhat em Brno.


Lina Bo Bardi



Achillina Bo,conhecida como Lina Bo Bardi, nasceu em Roma em 5 de dezembro de 1914, graduando-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma. Casou-se com o jornalista Pietro Maria Bardi em 1946 e neste mesmo ano, em parte devido aos traumas da guerra e à sensação de destruição, veio para o Brasil, país que acolheu como lar e onde passou o resto de sua vida , se naturalizando brasileira em 1951. Mulher inquieta, culta e inteligente, logo manteve contato com os principais nomes da modernidade arquitetônica brasileira, tendo iniciado no Brasil um importante conjunto de obras, nos quais se destacam em São Paulo, a Casa de vidro, a sede do MASP, o SESC Pompéia; e em Salvador, a restauração do Solar do Unhão.


Zaha Hadid



A arquiteta iraquiana nasceu em 31 de Outubro de 1950 em Bagdá e seu trabalho se identifica com a corrente desconstrutivista da arquitetura. Em 2004, Hadid se tornou a primeira arquiteta mulher a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura pelo conjunto de sua obra. Anteriormente ela também foi premiada pela Ordem do Império Britânico pelos serviços realizados à arquitetura. Trabalhou com o seu professor, o arquiteto Rem Koolhaas. Em 1979, passou a estabelecer prática profissional própria em Londres. E daí por diante, sua obra passou a possuir certo renome. Possui projetos executados na Europa, América do Norte, destacando-se entre estes: Vitra Fire Station (1993), Weil am Rhein, Alemanha; Centro Rosenthal de Arte Contemporânea (1998), Cincinnati, Ohio, EUA; Terminal Hoenheim-North & estacionamento (2001), Estrasburgo, França.


Toshiko Mori



É uma arquiteta que vem atuando com escritório em Nova Yorque desde 1981, sendo também professora em Havard. Seus projetos se caracterizam por trabalhar com os recursos da modernidade, denotando uma nítida influência miesiana, presente nas transparências espaciais, atenção à estrutura e ao detalhe. Possui projetos executados em varias cidades americanas, destacando-se os desenvolvidos na área comercial, residencial e institucional. Desenvolve trabalhos para as marcas Yssey Miyake, Comme des Garçons. Sua produção é limpa, transparente, clássica e moderna ao mesmo tempo: essencial.


Janete Costa



A arquiteta pernambucana Janete Ferreira da Costa nasceu na cidade de Garanhuns, no ano de 1932, havendo estudado em Recife e no Rio de Janeiro. Tem trabalhos realizados em todo o Brasil, e no exterior, sendo reconhecida como uma das mais importantes arquiteta de interior brasileira. Foi aluna de Acácio Gil Borsoi e depois se tornou sua esposa e companheira profissional, e segundo depoimento do arquiteto, foi ela a pessoa quem mais o incentivou a torna-se o grande arquiteto que é. O trabalho de Janete tem como características, além da linguagem contemporânea, o profundo conhecimento dos materiais e da sua adequação e coerência com os ambientes criados, a valorização do artesanato brasileiro e a criação de design exclusivo e personalizado para os projetos. Foi ela quem introduziu o artesanato na arquitetura de interiores no Brasil, trabalhando com o contraste entre rusticidade e refinamento. Atua com escritório de arquitetura de interiores no Rio de Janeiro e em Recife, realizando projetos em todo o território nacional.

Rosa Kliass

A paulista Rosa Grena Kliass é arquiteta- paisagista considerada uma das mais importantes na história do Paisagismo brasileiro moderno e contemporâneo. Entre suas obras destaca-se a reforma do Vale do Anhangabaú e o projeto paisagístico do Parque da Juventude, ambos na cidade de São Paulo. É graduada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) em 1955, tendo estabelecido desde então prática profissional ligada predominantemente à arquitetura paisagística, sendo ganhadora de inúmeros prêmios nesta área. Também é consultora de diversos órgãos estatais, e autora de vários trabalhos publicados no país e no exterior. Além de sua prática profissional em projetos de parques, escreveu uma das obras referências na área, o livro Parques urbanos de São Paulo, desenvolvido a partir do tema de sua dissertação de mestrado, defendida em 1989 na FAUUSP. É fundadora e ex-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP).

Arquiteta, professora adjunta do curso de arquitetura e urbanismo.DCCA/ CT/ UFPI.Doutora em projetos arquitetônicos pela ETSAB/ UPC.

13.1.08

O emprego e difusão do telhado em asa de borboleta na arquitetura moderna brasileira.

“Lembro-me quando criança, na década de 70, quando vivia em uma casa na praia de Tambaú, na cidade de João Pessoa, de sua fachada marcada por um telhado com formato de asas, que jamais saiu de minha memória, e que somente anos depois, tive a oportunidade de investigar sobre o porquê de sua existência...”


figura 01


figura 02

A solução em utilizar cobertas em duas águas com o deságüe até o centro, simplificando a recolhida da água, repercutindo no valor do espaço interno, começou a ser usado pela primeira vez por Le Corbusier y Pierre Jeanneret, em um projeto não construído para a Casa Errázuriz, Zapallar, no Chile, em 1930.Em 1935, na Ville La Sextant, em La Palmyre-les Mathes, nos arredores de La Rochelle, a casa projetada para finais de semana, empregando materiais vernaculares, também foi projetada com um telhado em duas águas convergindo para o centro.

Posteriormente o telhado em “asa de borboleta” , como é conhecido, foi adotado na arquitetura moderna brasileira, através principalmente das obras de Oscar Niemeyer, nos finais dos anos 30, como a casa M. Passos (1939), alcançando uma maturidade formal no projeto do Yacht Clube de Pampulha,em 1940-42 e na casa Juscelino Kubitescheck, ambas em Pampulha, Belo Horizonte.

Niemeyer no Brasil, empregou bastante a solução que resolvia bem os problemas climáticos criados pela adoção dos princípios modernos em volumes puros, contribuindo desta maneira, para a criação de um certo “modismo” na arquitetura brasileira.

Além de Niemeyer, a difusão das casas americanas projetadas por Marcel Breuer me revistas especializadas, em meados dos anos 40, contribuiu mais ainda para a consolidação do emprego desta solução. As casas Robinson(1946-48), casa exposição projetada nos jardins do MOMA(1948-49), la Foote( 1949-50), entre outras, provinham de modelos de casas binucleraes de 1943-45, que se aplicou pela primeira vez na casa Geller1, terminada em 1946 e que se tornou bastante conhecida devido à grande difusão na imprensa especializada.

Outro arquiteto brasileiro que contribuiu para o emprego do telhado em asa de borboleta foi o carioca Sergio Bernardes, que empregou a solução em vários projetos residenciais, premiados inclusive nas Bienais de arquitetura de São Paulo, como por exemplo, as casas Jadir de Sousa(Rio de Janeiro, 1952).

No Recife, o arquiteto carioca, Acácio Gil Borsoi, muito influenciado pela arquitetura produzida em sua cidade natal, adota a solução em todos os seus projetos residenciais dos anos 50.Outro arquiteto que atuou em Recife, o português Delfim Anorim, também adotou os tetos em asa de borboleta em seus projetos, como por exemplo na Casa Miguel Vita(figuras 01 e 02).



30.12.07

Projeto vitrine loja Todeschini em Teresina







Espaço projetado na loja Todeschini em Teresina,usando como conceito espacial, uma referência em homenagem aos 100 anos de um dos mais significativos arquitetos brasileiros:Niemeyer.

O partido adotado trabalhou com cores neutras,como o branco, o preto, contrapondo com o vermelho.

27.12.07

“Construa certo, contrate um arquiteto...”



Este slogan que foi usado diversas vezes em campanhas realizadas pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, é retomado neste artigo, com a intenção de provocar determinadas reflexões no leitor, sobre o que é arquitetura e qual o papel do arquiteto na sociedade.

O arquiteto e mestre Lúcio Costa (1902-1998), um dos mais importantes arquitetos e intelectuais brasileiros, definia arquitetura como “construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa."

Esta definição é bastante completa, uma vez que de uma forma clara, trabalha com temas que relacionam construção, espaço, época, meio, técnica e programa. A construção de espaços, realizadas em época/ tempo específicos, em um local/ lugar/ meio determinados, com seus aspectos históricos, geográficos, econômicos e culturais próprios e com programas de necessidades específicos a cada realidade.

Mas, caberia ainda nesta definição do que é arquitetura, o que colocou Oscar Niemeyer(1907), quando disse que é da criatividade aplicada à solução de problemas espaciais, que emerge a verdadeira arquitetura”. De fato, além do conhecimento técnico projetual e construtivo, o arquiteto trabalha constantemente com a criatividade, buscando sempre a relação entre a forma e a função, entre técnica e arte.

Complementando ainda mais estes conceitos, o Prof.dr. Carlos Lemos, da FAUUSP, disse que arquitetura seria, “toda e qualquer invenção no meio ambiente criando novos espaços, quase sempre com determinada intenção plástica, para atender as necessidades imediatas ou a expectativas programadas, e caracterizada por aquilo que chamamos de partido.”

O partido arquitetônico pode ser entendido aqui, como uma conseqüência formal derivada de uma série de aspectos ou condicionantes, tais como a técnica construtiva, segundo recursos locais (humanos e materiais); o clima; as condições físicas e topográficas do meio onde vai se intervir; o programa de necessidades, segundo usos, costumes; os aspectos econômicos locais e do empreendedor e as questões de normas e legislações para o uso do solo.

Muitas pessoas ainda desconhecem qual é realmente o verdadeiro papel de um profissional de arquitetura para o desenvolvimento social. Acham que arquiteto é somente uma “espécie de decorador...” Ledo engano! Somos nós arquitetos, os responsáveis pela imagem de nossas cidades, e estamos presentes em quase tudo que compõe o cenário urbano no qual vivemos.

A formação de um arquiteto tem duração média de cinco anos, onde são abordados temas com, história da arte, história da arquitetura e do urbanismo, representação gráfica, informática, resistência dos materiais, construção, planejamento urbano, projeto de edificações, conforto ambiental, paisagismo, arquitetura de interiores, patrimônio histórico, técnicas retrospectivas, instalações prediais, entre outros.

Durante este período de formação, o futuro arquiteto recebe um grande número de informações gerais, mostrando as diversas possibilidades profissionais, nas quais ele poderá atuar, de acordo com suas preferências e demandas mercadológicas.

Dessa forma, cabe ao arquiteto um grande leque de opções, no qual o mesmo deve se especializar através de pós-graduações e trabalhos práticos nas diversas áreas, sejam elas, projeto de edificações, planejamento urbano, restauração, arquitetura de interiores, entre outras. Necessário e imprescindível é o aprofundamento do conhecimento, a fim de que seja melhorada a qualidade dos serviços a serem prestados.

Por isso, tal como um enfermo procura um médico especialista em determinada área, assim deve ser o cliente com o arquiteto. A contemporaneidade exige a especialização profissional, e por isso, a sociedade deve conhecer a existência desta tendência também na arquitetura. Por exemplo:

1)Caso o cliente seja uma prefeitura, e necessite da melhoria urbana e social de sua cidade, procure um arquiteto especialista em urbanismo, desenho urbano,plano diretor, ou demais áreas afins.

2)Caso queira construir ou reformar seu imóvel, qual seja a tipologia, procure consultar-se com um arquiteto especialista em projetos arquitetônicos.

3)Caso o cliente compre um apartamento e queira solucionar os problemas de seu espaço interior, ou mesmo, que este cliente tenha um espaço já construído e queira apenas, torná-lo mais belo e funcional, contrate um arquiteto de interiores, especialista em layout de mobiliário, iluminação, por exemplo.

E assim por diante, considerado sempre que “cada caso é um caso”.

Dessa maneira, espera-se que este artigo tenha informado, de maneira bastante breve, sobre a necessidade de se projetar e construir corretamente, otimizando custos e obtendo qualidade plástica e funcional, contratando o profissional arquiteto especialista em sua respectiva área, a fim de que o produto arquitetônico, seja este qual for, tenha uma melhor qualidade tanto para o cliente específico, como para a construção da imagem da cidade na qual vivemos e somos responsáveis pela sua sustentabilidade.


Popostas de projetos no Piauí





PROPOSTA TERMINAL DE PASSAGEIROS. SERRA DA CAPIVARA
KAKI AFONSO ARQUITETURA

IMAGENS: VALÉRIO ARAÚJO

Projetos em Teresina




PROPOSTA PARA SESAPI.TERESINA. 2007
KAKI AFONSO ARQUITETURA


Niemeyer é 100.


“Niemeyer é 100.”

Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu pais, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.”(Oscar Niemeyer.Poema escrito sobre a curva em sua arquitetura)

Assim é a arquitetura de Oscar... E não é qualquer pessoa que consegue completar cem anos de vida em plena atividade profissional: só mesmo alguém iluminado e genial, como o maior arquiteto brasileiro, o mestre Oscar Niemeyer Sousa Filho.

Não se pode deixar passar em branco tal fato, inédito na história da arquitetura brasileira e por isso, esta coluna será dedicada a algumas curiosidades a respeito da vida e obra do nosso arquiteto maior.

Niemeyer e Lúcio Costa: uma amizade frutífera.

Nascido no Rio de Janeiro, em dezembro de 2007, Niemeyer gradua-se arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes (ENBA/ RJ) em 1934, e vai trabalhar no escritório de Lúcio Costa, tendo contato direto com arquitetos como Carlos Leão, Affonso Reidy,Jorge Moreira e Ernane de Vasconcelos.

Através de indicação de Lúcio Costa, Niemeyer é encarregado de acompanhar Le Corbusier, o mestre franco suíço, em sua segunda visita ao Brasil, durante uns 20 dias, tendo a oportunidade de conviver de perto com um dos mais importantes arquitetos do século XX. Le Corbusier encanta-se com a criatividade e o traço do recém formado arquiteto, dando-lhe, juntamente com o apoio de Lúcio Costa, o espaço necessário para que ele desenvolvesse com liberdade todas suas idéias. Dessa forma, através da indicação de Lúcio Costa, Niemeyer obteve um lugar no mercado, iniciando uma parceria que renderia muitos frutos no futuro, como Brasília, por exemplo.

Contato com JK: de Pampulha a Brasília.

Juscelino Kubitscheck foi sem sombra de dúvidas uma outra figura de grande importância na carreira profissional de Niemeyer, pois a partir de 1939, o então jovem político mineiro, prefeito na época de Belo Horizonte, contratou-o para projetar o bairro de Pampulha. Após uma noite inteira de trabalho, desenhando esboços e mais esboços, Niemeyer cria um conjunto arquitetônico composto por capela, cassino, casa de baile, o Iate Clube e um hotel (não construído), que revolucionou a arquitetura moderna produzida naqueles anos (1940-45), produzindo obras com grande liberdade plástica, contrapondo volumes prismáticos com curvas, que serão a marca registrada do arquiteto em todos os seus futuros projetos.

Brasília e os anos dourados: 50 anos em 5.

“50 anos em 5”: este era o slogan do JK, ao assumir o Governo do país. E ao seu lado, mais uma vez, estava Oscar Niemeyer, o arquiteto arrojado, que acompanhava o ritmo acelerado de JK. Orientado por Niemeyer, que estava à frente da Novacap, JK criou um concurso para a nova capital, em 1956, no qual saiu vencedor Lúcio Costa, que projetou um plano piloto que partiu de um gesto simples e simbólico: o sinal da cruz, feita pelos descobridores para marcar a posse da terra e o começo de uma nova civilização.

Brasília, atualmente, é tombada pela Unesco, considerada patrimônio da humanidade, sendo uma das únicas capitais planejadas, que seguiu em sua totalidade, os princípios do urbanismo moderno, com avenidas largas, super-quadras residenciais, eixo monumental, e uma arquitetura harmoniosa, que tem grande parte de seus principais edifícios projetados por Niemeyer: obras que foram e são, motivo de orgulho nacional profissional, fundamentais no processo de consolidação da arquitetura moderna brasileira, havendo influenciado grande parte dos arquitetos latino-americanos, especificamente, a nós, arquitetos brasileiros.

O prêmio Pritzker: o Nobel da arquitetura.

Em 1987, Niemeyer recebeu o prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, e concedido anualmente, como forma de agraciar um arquiteto vivo. O prêmio foi instituído pela Fundação americana Hyatt, de responsabilidade da família Pritzker, e é o mais importante prêmio de arquitetura do mundo, havendo sido criado em 1979. Apenas dois brasileiros foram premiados: Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha.

A fundação Oscar Niemeyer.

Quem possuir interesse em conhecer mais profundamente a obra deste importante arquiteto, responsável por projetos como o conjunto de Pampulha( Belo Horizonte), a sede da Unesco( EUA), Conjunto do Ibirapuera(São Paulo), Memorial da América Latina(São Paulo), edifícios em Brasília, Le Havre(Paris), somente para citar alguns exemplos, deve acessar o site www.niemeyer.org.br , ou visitar no corredor cultural do Rio de Janeiro, no bairro da Glória, a fundação Oscar Niemeyer, composta de um rico acervo bibliográfico e de projetos.


25.12.07

Porto das Barcas.Litoral piauiense

A cidade de Parnaíba teve seu apogeu econômico, graças à
extração e comercialização da cera de carnaúba durante o
período que abarca os séculos XVIII, XIX e XX.
E foi durante esta época que foram construídos edifícios
para abrigar a alfândega, os armazéns de estocagem dos
produtos extraídos e comercializados através da navegação
fluvial, como a cera de carnaúba, o sal, as charqueadas, o
babaçu, entre outros.
Estes edifícios foram pouco a pouco, sendo construídos
um ao lado do outro, dando formação ao conjunto que
é composto por três grandes blocos, interligados através
de ruelas, que totalizam uma área aproximada de 10.000
m2, formada por antigos estabelecimentos comerciais
e industriais, o sobrado da antiga alfândega, antigos
armazéns pertencentes à família Dias da Silva, construídos
por escravos, e um galpão metálico que mesmo havendo
sido edificado no século XX, já se incorporou à paisagem
local. Faz parte também deste conjunto, um antigo dique
usado para a construção de embarcações, e uma área
que se encontra em ruínas, que é utilizada como parque
natural.
O sistema construtivo desses armazéns utilizou paredes de
alvenaria de blocos de pedras, devidamente quebrados
e rejuntados, empregando uma argamassa resultante da
mistura do pó de ostra com óleo de baleia; coberturas
estruturadas com troncos de aroeira e carnaúba
revestidas com telhas cerâmicas tipo canal; altos pésdireitos
que criam ambientes de uma beleza rústica,
característica da arquitetura da região.
Durante a decadência dos ciclos econômicos
parnaibanos, o conjunto foi aos poucos perdendo a
sua funcionalidade, tendo ficado durante a segunda
metade do século XX, abandonado e sendo invadido
por famílias carentes que transformaram a área em um
grande cortiço.
A partir da década de 80, um grupo de parnaibanos
apoiados por políticos locais, iniciou um trabalho junto
aos órgãos de preservação do patrimônio estadual
para que o conjunto fosse protegido por lei e que se
dera inicio a um trabalho de resgate emergencial das
edificações, que se encontravam em precário estado de
conservação.Dessa forma, através de Decreto Estadual
No. 6.924 de 09/12/86, foi realizado o tombamento
do Conjunto a nível estadual.
E foi ainda no final dos anos 80, que se iniciaram os
trabalhos de restauração do conjunto, realizando-se ali,
a relocação das famílias invasoras, limpeza geral da
área, e obras emergenciais para evitar o desabamento
das coberturas corroídas por cupins.
Também foi desta época, o primeiro projeto de
implantação de um modesto museu do Mar, implantado
em um edifício completamente restaurado em um ponto
estratégico deste conjunto.
Os recursos eram oriundos do Governo Estadual,
contando com o apoio dos então governadores Hugo
Napoleão e Raimundo Bona Medeiros.A responsável
técnica de tais projetos era a arquiteta Alcilia Afonso,
que teve como colaboradores os arquitetos João Alberto
Monteiro e Ana Márcia Moura.
Na década seguinte, nos anos 90, durante os governos
estaduais de Alberto Silva e Freitas Neto, a área foi
altamente impulsionada, dando continuidade aos
trabalhos de restauração, conservação e revitalização
do conjunto, sendo instalados ali, restaurantes, agencia
bancária, pavilhão de eventos, lojas de artesanato,
baterias sanitárias, auditório, informações turísticas,
bares, e o cais, que retomou suas atividades, agora,
voltado para o transporte de turistas ao Delta.
Parte deste período, o então presidente da PIEMTUR,
Edílson Carvalho, incentivou ao máximo a revitalização
da área, buscando parcerias com a iniciativa privada
para a sustentabilidade econômica do conjunto, que
passou a ser administrado pela Associação Comercial
de Parnaíba.
Infelizmente no inicio do século XXI, o conjunto já não
era mais prioridade da política cultural estadual e
pouco foi feito para manter as parcerias anteriormente
realizadas, dando inicio a um outro ciclo de abandono.
Nos últimos anos dez anos, nada mais foi realizado
no que é referente à conservação deste acervo, o que
prejudicou bastante a preservação dos antigos edifícios,
que apresentam atualmente um precário estado de
conservação, necessitando mais uma vez de imediatas
intervenções para evitar o quanto antes o seu abandono
e possível destruição.
Dessa forma, os atuais governos estadual e municipal,
retomaram a partir de 2006, medidas no sentido
de resgatar este importante acervo, solicitando o
tombamento federal à 19ª. Superintendência Regional
do IPHAN, de todo o conjunto urbano e seu entorno,
bem como a sua inserção do programa do PRODETUR
2, para que consiga recursos para sua revitalização e
sustentabilidade através de estudos sócio econômicosque viabilizem a gestão do mesmo, incentivado dessa
forma, não somente a preservação do mais importante
conjunto arquitetônico do litoral piauiense, mas também, as
atividades turísticas do trinômio formado por Jericoacoara,
Delta do Parnaíba e Lençóis Maranhenses do litoral norte
brasileiro.


A Consolidação da arquitetura moderna no nordeste brasileiro.

O presente texto trata-se do resumo referente ao projeto de pesquisa que foi desenvolvido para a elaboração de tese de doutorado realizada na Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona/ ETSAB vinculada à Universidade Politécnica da Catalunha, no departamento de projetos arquitetônicos, com linha de investigação sobre a forma moderna na arquitetura, intitulada “ La consolidación de la arquitectura moderna em Recife em los años 50”, orientada pela professora dra.Teresa Rovira, apresentada em novembro de 2006, e classificada em excelente cum laude.

A pesquisa teve o apoio da CAPES, através da concessão de bolsa de doutorado pleno no exterior, e da UFPI, através da liberação para a realização do curso na Espanha, no período de quatro anos.

A pesquisa desenvolvida tinha como objetivo, comprovar a existência de uma “Escola de Recife” no cenário nacional, caracterizada pela busca em adaptar o vocabulário moderno à realidade tropical, com aspectos culturais, sociais, econômicos e principalmente, climáticos, muito específicos, que necessitavam ser considerados, para a adoção de uma arquitetura moderna na região nordestina brasileira, esclarecendo sobre o papel desenvolvido pelos arquitetos Mário Russo, Acácio Gil Borsoi, Delfim Amorim e Heitor Maia Neto na formação desta “Escola”, analisando suas contribuições para tal processo, como professores do curso de arquitetura da Escola de Belas Artes de Pernambuco/ EBAP, e como, profissionais liberais, atuando na elaboração e execução de projetos arquitetônicos.A pesquisa analisou as soluções projetuais e construtivas para a melhoria de uma arquitetura sustentável nos trópicos brasileiros, constatando que a arquitetura moderna teve sim, uma preocupação com o “lugar”, diferentemente do que a critica escreveu sobre a mesma, sendo a pesquisa realizada, uma comprovação de tal afirmativa.

Recife foi a primeira capital nordestina a ter um curso de arquitetura criado em 1934, e somente em 1949, contratou um arquiteto italiano, Mario Russo, para lecionar a disciplina de composições arquitetônicas. Em 1951, contrataram o carioca Acácio Gil Borsoi, e em 1952, o português Delfim Amorim e o pernambucano Heitor Maia Neto, que juntos, revolucionaram o ensino e a produção arquitetônica na região, influenciando a toda uma geração de profissionais que naquela “Escola” estudaram.

A originalidade desta pesquisa está no fato de que, pela primeira vez, foi estudado em paralelo, o trabalho destes quatro arquitetos responsáveis pelo processo de consolidação da modernidade nordestina, durante os anos 50, contrapondo seus pensamentos e produções arquitetônicas, identificando os pontos comuns entre elas.

Para o desenvolvimento da investigação, foram levantadas questões que nortearam o decorrer do trabalho, a saber: 1) haviam sido realmente os arquitetos Borsoi e Amorim, citados por reconhecidos autores como Bruand (1978), Segawa(1997), os únicos responsáveis pelo processo de consolidação da arquitetura moderna, ou haveriam, mais outros personagens, ainda não publicados e reconhecidos?; 2) Existiu ou não, uma “Escola de Recife”, que influenciou toda uma região, devido à abrangência do trabalho profissional destes arquitetos em várias capitais nordestinas?

Para contestar a tais indagações, aplicou-se uma metodologia empregada na linha “a forma moderna” do programa de doutorado em projetos arquitetônicos da ETSAB, proposta pelos professores Dr. Helio Piñon e dra.Teresa Rovira, que orienta no sentido de desenvolver um enfoque arquitetônico, no qual o desenho e a fotografia são os meios mais convenientes e precisos para especificar a construção de um edifício e comunicar sua arquitetura.Dessa forma, a pesquisa aprofundou uma investigação arquitetônica e visual, até então, inédita a respeito de 60(sessenta) obras produzidas pelos arquitetos anteriormente citados durante os anos 50 na cidade de Recife.

A metodologia proposta trabalhou com análises dos edifícios através do “redesenho” dos projetos originais, conseguidos em arquivos pessoais e públicos municipais, possibilitando uma melhor compreensão do processo projetual dos mesmos, observando pontos como a implantação do edifício no terreno, o uso da modulação em plantas e em fachadas; o emprego de tramas ordenadoras; a distribuição em planta de blocos funcionais; a atenção à estrutura e suas relações com esquadrias e paredes; as soluções climáticas e tratamento volumétrico, entre outros. A visita às obras ainda existentes e a observação atenta aos detalhes construtivos, através do olhar atento, proporcionou também, um melhor entendimento formal e visual das mesmas.

Somente após haver redesenhado e compreendido o processo projetual destes edifícios analisados, foi possível contrapor o conjunto da produção dos quatro profissionais, buscando soluções projetuais e construtivas adotadas, concluindo sobre a existência ou não, de uma “Escola de Recife” e as contribuições da mesma para o desenvolvimento de uma arquitetura moderna nordestina.

Os resultados alcançados após o término desta pesquisa têm sido positivos. Após o retorno às atividades docentes no curso de arquitetura e urbanismo da UFPI, a metodologia aplicada na pesquisa vem sendo empregada em projetos de iniciação científica com alunos da graduação que aplicam o modelo analítico para o estudo da arquitetura moderna piauiense (figura 1), bem como de protótipos para projetos racionais para a população de baixa renda. A mesma metodologia de compreensão e análise projetual é usada também na área de ensino, nas disciplinas de projetos arquitetônicos 3 e 6, onde se trabalha com princípios projetuais propostos pela modernidade arquitetônica universal, dando ao aluno, uma integração entre projeto/ estrutura; modulação/ espaço; arquitetura/ sustentabilidade.



Ainda como fruto desta pesquisa realizada, pode ser citado aqui, a parceria criada entre UFPI e ETSAB/ UPC, na qual vem sendo desenvolvido um projeto de investigação internacional envolvendo os países com Brasil, México, Argentina, Chile, sobre “Habitação de interesse social”, na qual sou a representante nacional, em rede sistemática com o grupo FORM, de Barcelona, realizando a “ponte” com outras universidades brasileiras, através de seus programas de pós-graduação, como por exemplo, os da FAUUSP, a UFRGS, UNICAMP, UFBA,UFRJ, UFPE,UNISINOS, entre outras.

Através da credibilidade criada no desenvolvimento da pesquisa com a orientadora, professora Dra.Teresa Rovira, tenho sido indicada pela mesma, para orientar dois projetos de tese doutoral na América Latina, desenvolvidos por alunos matriculados na ETSAB/ UPC: o primeiro, da arquiteta uruguaia Cecília Machin, que desenvolve projeto de tese sobre a arquitetura residencial moderna no Uruguai; e o segundo, da arquiteta brasileira Rosa Karina Furtado, sobre o processo de consolidação da modernidade arquitetônica no Ceará.

A pesquisa também vem participando de uma mostra internacional sobre “Arquitetura moderna na América Latina nos anos 50”, onde são expostas em 60 painéis, as produções arquitetônicas dos mais importantes arquitetos latino-americanos, estando nela presente, dois dos arquitetos investigados na pesquisa, Borsoi e Heitor Maia Neto. A exposição já percorreu países como a França, Bélgica, México, Argentina, Espanha, Equador, Chile, e no ano de 2008, será montada em maio, durante o 2º. Encontro do DOCOMOMO NORTE NORDESTE, a ocorrer em Salvador, do qual também faço parte da comissão organizadora. A divulgação da exposição no Brasil tem ficado a meu encargo, havendo sido veiculada para demais universidades brasileiras, como a UFRGS e a UFPE.

A pesquisa resultou também em uma série de artigos publicados em livros editados pela ETSAB/ UPC, com as seguintes referências bibliográficas:

1) Casa Lisanel Mota. Acácio Gil Borsoi.1953” In: Documentos de Arquitetura moderna em América Latina 1950-1965 ”, Terceira recopilação. ed.Barcelona : ETSAB/ UPC, 2006, v.3, p. 50-61.

2) “Casa Torquato Castro. Heitor Maia Neto. 1954.”In: Documentos de Arquitetura moderna em América Latina 1950-1965 ”, Terceira recopilação. Ed.Barcelona: EPC/ ICCI, 2006, v.3, p. 76-89.
3)”Mario Russo. Instituto de Antibióticos. 1953 “In: Documentos de Arquitetura moderna em América Latina 1950-1965 ”, segunda recopilação. Ed.Barcelona: UPC/ ICCI, 2005, v.2, p. 196-203.

Além, dos artigos anteriormente citados, a pesquisa vem sendo apresentada em congressos e publicada em anais, a saber: 1) “Museu de arte moderna de Recife”. In: I ENCONTRO DOCOMOMO NORTE NORDESTE, Recife.I ENCONTRO DOCOMOMO NORTE NORDESTE. , 2006; 2) “Quatro projetos inéditos” In: I ENCONTRO DOCOMOMO NORTE NORDESTE, RECIFE.
I ENCONTRO DOCOMOMO NORTE NORDESTE. , 2006;3)“Russo y Amorim: la influencia europea en el proceso e consolidación de la arquitectura moderna en Recife en los años 50” In: XI Seminario APEC INMIGRACION Y TERRITORIO, 2006, Barcelona. XI Seminario APEC BCN. Barcelona: ICCI, 2006. v.1. p.127 – 136;4) “A arquitetura moderna de Heitor Maia Neto em Recife nos anos 50” In: DOCOMOMO Brasil. Niterói.DOCOMOMO Brasil. 2005; 5)“Arquitectura y memoria: Recife en los años 50 “In: X Seminario da APECBCN, 2005, Barcelona. X SEMINARIO DA APECBCN. Barcelona: , 2005. v.1. p.181 – 187;6)“Arquitectura Moderna en los trópicos :la implantación de la Escuela de Recife” In: IX Seminario APEC BCN Pluralismo y Globalización, 2004, Barcelona. IX Seminario APEC. Barcelona: ICCI, 2004. v. 1. p.281 – 290. A pesquisa realizada continua contribuindo bastante para o estudo e compreensão da arquitetura nordestina, bem como, para a reflexão a respeito de uma arquitetura sustentável para os trópicos brasileiros, criando-se uma rede de investigadores locais, regionais, nacionais e internacionais.

Arquitetura Moderna em Teresina



O presente texto apresenta um resumo do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo grupo de pesquisa “ Modernidade arquitetônica”, que investiga a respeito da arquitetura moderna em Teresina: análise de projetos e suas contribuições para a arquitetura regional, composto por alunos da graduação de arquitetura e urbanismo do Centro de Tecnologia da UFPI, orientados pela professora dra.Alcilia Afonso.

A pesquisa tem como objetivo, investigar a respeito da produção arquitetônica moderna teresinense, observando as adaptações sofridas para a adaptação de uma linguagem universal em uma realidade sócio cultural, geográfica e econômica local.

A cidade de Teresina é uma cidade relativamente nova (1852), quando comparada as demais capitais brasileiras de origem colonial, e a adoção de uma arquitetura moderna só foi possível nos anos 60, pois se observa que predominava no local, o gosto pela arquitetura eclética.

Assim, a proposta desta pesquisa é a de aprofundar investigações a respeito de um acervo que vem sendo destruído pouco a pouco, devido à falta de conhecimento das instituições e da comunidade, a respeito da importância do mesmo. Observando-se nesta produção, a contribuições projetuais, construtivas, técnicas, bem como, soluções climáticas que procuraram adaptar a modernidade aos trópicos brasileiros.

A intenção é de resgatar este patrimônio, analisar seus valores arquitetônicos e observar as contribuições projetuais do mesmo para o desenvolvimento da arquitetura no nordeste brasileiro.

A metodologia a ser empregada está dividida em duas categorias: 1) uma primeira, de cunho teórico, na qual os alunos envolvidos com o projeto realizarão pesquisas bibliográficas sobre a modernidade arquitetônica internacional, nacional e regional; Tal pesquisa será realizada em todos as fontes, primárias e secundárias, utilizando ademais a busca de informações em “sites” mundiais, encontrados na Internet, que tratem sobre o tema; 2) uma segunda, de cunho prático projetual, na qual, os alunos desenvolverão as análises das obras através das seguintes ações:

1. Levantar o acervo arquitetônico moderno teresinense, em arquivos municipais e privados, selecionando os principais exemplares.

2. Redesenhar em autocad (trabalho de digitalização) as obras modernas selecionadas para análise dos critérios.

3. Analisar os critérios projetuais relacionadas à estrutura, planta, coberta, volumetria, soluções de esquadrias e revestimentos.

Para tanto, utilizar-se-á uma metodologia de investigação que vem sendo trabalhada pelo grupo de pesquisa sobre “a forma moderna” do departamento de projetos arquitetônicos da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona, ETSAB/ UPC, do qual a coordenadora deste grupo, a prof.dra. Alcilia Afonso, participa.

Os resultados obtidos na pesquisa têm sido bastante positivos, uma vez que o grupo tem realizado contatos diretos coma ETSAB/ UPC de Barcelona, aplicando no Piauí, a metodologia atualizada trabalhada naquele centro, bem como, ficando a par de todo referencial teórico atualizado sobre o tema. Através da orientadora do grupo, que é membro da DOCOMOMO (Documentação e Conservação do movimento moderno)/ seção Brasil, o grupo tem mantido contatos também com programas de pós- graduação brasileiros, divulgando os resultados das pesquisas e participando de redes sistemáticas, com professores nacionais e internacionais, colocando dessa maneira, a UFPI em rede.

O resultado do dinamismo do grupo foi a recente inclusão da orientadora na comissão de organização do próximo encontro nacional da DOCOMOMO Norte/ Nordeste, que ocorrerá em maio de 2008, na cidade de Salvador, marcando dessa forma, a presença da UFPI, através de pesquisas acadêmicas, no circuito nacional.

A equipe de alunos apresentou recentemente uma exposição referente à arquitetura moderna teresinense, composta por fotografias de edifícios modernos, e um resgate da produção arquitetônica do mineiro Antonio Luiz , durante a Feira de Ciência e Tecnologia promovida pelo Governo do Estado, que despertou um grande interesse do público presente, acarretando uma série de entrevistas na mídia impressa e televisa local.

Foi produzida também uma série de cartões postais sobre a modernidade arquitetônica teresinense, que surtiu excelentes resultados, devido à impressão de 1300 tiragens de 35 cartões postais, que vêm sendo distribuídos em eventos científicos locais e nacionais.

O inventário fotográfico e a produção de fichas tem sido um outro trabalho bastante importante produzido pelo grupo, que encaminhará a relação produzida ao IPHAN, a fim de que medidas de preservação do acervo sejam tomadas.

A mais recente produção do grupo modernidade arquitetônica está sendo a produção da exposição sobre o centenário do arquiteto Oscar Niemeyer, sendo elaborados 26 painéis( figura 3), relatando e exibindo a vida e parte da obra de um dos mais importantes arquitetos brasileiros e o mais expressivo personagem da modernidade arquitetônica nacional.

Esta exposição será itinerante, circulando pelo Instituto Camilo Filho, UFPI e demais instituições de ensino superior estaduais.Foi elaborada por um novo grupo de alunas da graduação, que se somaram aos demais cadastrados inicialmente no projeto, observando-se dessa maneira, os resultados que causam o interesse e a participação discente na pesquisa universitária.

Acredita-se que os resultados obtidos neste projeto de pesquisa possam contribuir, inicialmente com o trabalho de preservação cultural que vem sendo desenvolvido a nível municipal, estadual e federal, ao inventariar e analisar a produção arquitetônica moderna, podendo assim inseri-la no trabalho de resgate e difusão deste período da história brasileira, e posteriormente, na adoção e melhoria das soluções técnico-construtivas empregadas na modernidade e que devem ser resgatadas e reutilizadas pelos futuros profissionais da área, que infelizmente, desconhecem a potencialidade dos recursos empregados nesta produção.

A modernidade arquitetônica vem sendo alvo de constantes discussões nacionais e internacionais, que vem trabalhando com o resgate da produção e dos arquitetos, bem como, com a requalificação arquitetônica destas obras edificadas nos anos 40 a 60.São casas, edifícios de uso mixto, antigas repartições públicas, cinemas, terminais de passageiros em aeroportos, fábricas, que infelizmente não estão ainda totalmente inventariadas, protegidas legalmente e por isso, passam por um acelerado processo de descaracterização.

O grupo de pesquisa pretende contribuir neste processo de resgate, estudando e divulgando este acervo, propondo soluções para a sua conservação, e para tanto, vem trabalhando com demais instituições como o IPHAN, FUNDAC, DOCOMOMO, apoiado em um referencial teórico trabalhado pelo programa de doutorado da ETSAB/ UPC de Barcelona, que tem nos livros do professor catalão dr.Helio Piñon, e da professora dra.Teresa Rovira, a sua base conceitual.