10.10.09

Arquitetura piauiense: Um resgate.


Arte final do convite: Kaki Afonso, Samara Veloso e Roosevelt Cavalcanti.



Apoio: CAC/ UFPI e CREA/PI


Estará sendo lançado no próximo dia 27 d eoutubro, ás 17h, no Auditório do Centro de Tecnologia da UFPI, em Teresina o livro intitulado "ARQUITETURA PIAUIENSE", acompanhado de uma exposição e da série de cartões postais de desenhos sobre a região norte do Estado.

A idéia do livro/ caderno de desenhos e da exposição “ARQUITETURA PIAUIENSE” é a de resgatar a produção arquitetônica piauiense através de desenhos, esboços e croquis realizados por alunos e ex-alunos da disciplina arquitetura brasileira 2, do curso de arquitetura e urbanismo do departamento de construção civil e arquitetura do centro de tecnologia da Universidade Federal do Piauí (DCCA/ CT/ UFPI) e que formam parte de um grupo de pesquisa intitulado “Amigos do patrimônio”.

O grupo de pesquisa tem como objetivo investigar, inventariar, analisar e difundir o patrimônio arquitetônico piauiense, desenvolvendo como extensão, a produção de postais, ilustrados com desenhos a mão e textos; a realização de exposições e palestras didáticas na área enfocada, buscando sensibilizar a comunidade no sentido de (re) conhecer seu acervo, valorizá-lo e assim, o preservar.

Em um primeiro momento, foi realizada a série “Arquitetura em Teresina: 1852-2007” que teve uma tiragem de mil exemplares, e que rapidamente se esgotou, havendo sido distribuído em escolas, universidades e congressos nacionais. No ano de 2008, foi feita uma nova tiragem, com mais mil exemplares, da mesma série, que também realizou um trabalho de educação patrimonial, divulgando o acervo arquitetônico teresinense.

Ainda neste mesmo ano de 2008, foi produzida duas novas séries: “Arquitetura Piauiense” e “Perfis Urbanos” com a tiragem de mil exemplares por série, editados também, como todos os outros, pela Editora Gráfica da UFPI que procuraram ampliar o campo das pesquisas realizadas, trabalhando com vários municípios possuidores de acervo histórico/ arquitetônico.

Em 2009, a proposta é condensar estas séries passadas em um volume único acrescido da produção ainda inédita da região norte piauiense, permitindo assim, que o investigador/ aluno/ professor possuam em mãos, um rico material gráfico que possa colaborar em suas investigações futuras mais profundas, referentes à arquitetura piauiense.

O trabalho foi inicialmente levantado através de registros fotográficos, selecionados e desenhados manualmente, procurando valorizar os detalhes arquitetônicos, e em seguida, analisados de forma a criar “pistas” para trabalhos futuros. Optou-se pela divisão em capítulos destinados a enfocar cada exemplar por suas respectivas tipologias arquitetônica (arquitetura civil, religiosa, institucional) e detalhes construtivos.

Foi um “fazer” prazeroso, imbuído de uma vontade coletiva de buscar colaborar com a difícil e árdua tarefa de preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Assentamentos precários na habitação de interesse social em Teresina

A cidade de Teresina, capital do estado do Piauí, possui aproximadamente 900 mil habitantes, e segundo informações coletadas oralmente, a Prefeitura contratou uma consultoria externa para a elaboração de seu PLHIS, no qual, serão apresentados dados preciso sobre os assentamentos e o deficit qualitativo mais atualizado.

De acordo, com TERESINA AGENDA 21/ PLANO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (2002), 80% da população moram em imóveis próprios, porém inseridos em vilas e favelas e apresentando precariedade na estrutura física das habitações, coabitação, adensamento excessivo e saneamento inadequado, proporcionando um grande déficit habitacional, que giram em torno de 40.000 unidades.

Deste número, foi observado que 10% (4000 casas) estão localizadas em áreas impróprias para o setor habitacional, pois 4,5% estão implantadas em áreas de risco, 3,6% em leitos de rua e 2,8% em áreas alagadiças.

Quanto às tipologias, observa-se em 41,5% das casas, o uso de tijolos e telha cerâmica, e 38,5% de casas em taipa de pau a pique e cobertura de palha, denotando a influencia do meio ambiente, uma vez que a cidade faz parte da região geográfica da Mata dos Cocais, com predomínio de palmeiras como a carnaúba e o babaçu, de onde são extraídos alguns materiais construtivos destas casas.



A Carnaúba: extração de materiais para a cosntrução autóctone.
foto:kaki afonso/2008



Imóvel precário utilizando materiais locais.
foto:kaki afonso/2008



Outra tipologia existente são os conjuntos habitacionais, e que somente entre os anos de 1964 a 1990, foram construídos pela antiga COHAB/ PI, 43 conjuntos, com aproximadamente 35 mil unidades, abrigando 150 mil pessoas.Muitos destes conjuntos estão em precário estado de conservação, necessitando de intervenções tanto nas residências, como na infra-estrutura dos mesmos.

Outro fator que vem chamando a atenção é o grande número de invasões de terras privadas ou públicas, criando situações de impasses sociais, uma vez que , muitas vezes, a força policial vem entrando em ação,pois as ações de invasões são rápidas e comandadas por grileiros, que usando o “motivo” da falta de moradia, usam a população em prol de benefícios próprios futuros.

Os reassentamentos vêm ocorrendo com grande freqüência, principalmente em períodos chuvosos, no qual a cidade vem passando por fortes inundações, e a população que ocupa as áreas de risco, anteriormente citadas, são transladadas para áreas longínquas e sem uma infra-estrutura ainda adequada.

A cidade vem “crescendo” em todos os sentidos, mas observa-se a ocupação por famílias de renda salarial até os 3 salários mínimos em direção à região norte, em ocupações como o parque Brasil 1, 2, e 3, que foram se unindo a outros assentamentos como o conjunto habitacional Francisca Trindade, Nova Teresina, entre outros.


Conjunto Jacinta Andrade: 4300 casas em construção.ADH/CAIXA
foto:kaki afonso/2008

A ADH/Governo do Piauí vem desenvolvendo um trabalho de melhoria habitacional na área, e em parceria com a CAIXA, construindo uma série de equipamentos sociais em assentamentos já consolidados, bem como, atualmente, intervindo na construção de um dos maiores investimentos na área, o conjunto habitacional Jacinta Andrade, com 4300 unidades unifamiliares, situado nesta região norte, e que será dotado de uma infra-estrutura digna em relação á construção de equipamentos sociais, culturais, de lazer, ambientais, serviços e comércio, que farão com que esta atual área periférica, tenha autonomia e sustentabilidade, proporcionando uma melhor condição de vida aos futuros moradores.

4.10.09

Arquitetura e poder: A obra de Alberto Silva no Piauí.


Estádio de Futebol Albertão
foto:Samir Melo.2008



Estádio de Futebol Albertão
foto:Samir Melo.2008

Alberto Tavares Silva nasceu na cidade litorânea piauiense de Parnaíba em 10 de novembro de 1918 e faleceu em Brasília no dia 27 de setembro de 2009, e construiu ao longo de sua vida, uma brilhante carreira política, apesar de sua formação de engenheiro civil, realizada no Instituto Eletrotécnico de Itajubá.

Sua trajetória como homem público é extensa e muito rica, e sua contribuição à área da arquitetura e do urbanismo piauiense foi de muita importância ao desenvolvimento das regiões nas quais ele pode intervir quando Governador do Estado durante os dois mandatos: um primeiro, no período de 1971 a 1975, e um segundo entre, 1987 a 1991.

Arquitetura e poder sempre tiveram uma relação muito próxima na historiografia arquitetônica e urbana, e aqui no Brasil, basta recordar a presença marcante de Juscelino Kubitchek para a construção de um Brasil Moderno, tendo a frente o grande empreendimento que foi a construção de Brasília no final dos anos 50.

Em Teresina, capital do Piauí, o Dr. Alberto, como era chamado, deixou sua marca de crença, criatividade, arrojo em obras símbolos, polêmicas ou não, mas que sem dúvida, contribuíram na construção da imagem de uma cidade que buscava a modernização em consonância com as propostas contemporâneas a estas intervenções.

Nos anos 70, período de seu primeiro mandato, e vinculado ao Regime Militar, época do chamado Milagre econômico, Dr. Alberto construiu o Estádio Albertão, a Cepisa, o Instituto Antonino Freire, edificados em Teresina que marcaram a paisagem urbana local, com suas arquiteturas de linhas modernas e brutalistas, obras de arquitetos como Antônio Luiz (Cepisa, o Instituto Antonino Freire) ou de arquitetos mineiros, como foram as obras do Albertão e do Monumento do Jenipapo, este último em Campo Maior.




Instituto de Educação Antonino Freire

foto:Ana Rosa Negreiros.2008



foto:Ana Rosa Negreiros.2008
foto:Ana Rosa Negreiros.2008





Perspectiva do edificio da CEPISA. Projeto do arquiteto Antônio Luiz.
fonte:Maloca Arquitetura e Engenharia



Monumento do Jenipapo. foto: Kaki Afonso.2008

Em seu segundo mandato, juntamente com o designer Gérson Castelo Branco, inova e polemiza com a obra da Potycabana, uma espécie de praias artificial criada as margens do Rio Poty, dotada de equipamentos de lazer, piscinas com ondas, toboáguas, que criaram uma grande sensação à população na época na qual foi inaugurada.

Quando se falava em soluções arrojadas, imediatamente todos faziam referência ao Dr. Alberto e suas idéias que faziam vibrar aqueles mais ligados à criatividade, ao arrojo e ao desenvolvimento. Sem dúvida, a relação de sua atividade como homem público, político deve ser aprofundada em estudos futuros na área.