31.10.10

Usina hidrelétrica Estreito do Parnaíba: impactos ambientais e sócio-culturais na cidade histórica de Amarante, Piauí



Imagem da cidade de Amarante. Fonte: http://cirandinhapiaui.blogspot.com/2010/03/em-defesa-de-amarante_26.html

Este texto que se intitula “Usina hidrelétrica Estreito do Parnaíba: impactos ambientais e sócio-culturais na cidade histórica de Amarante, Piauí pretende abordar a discussão entre paisagem e memória relacionada ao desenvolvimento econômico e tecnológico proveniente da construção de barragens e usinas hidrelétricas, que vem causando impactos irreversíveis ao meio-ambiente, natural e construído.

Tem como estudo de caso, a cidade histórica piauiense de Amarante, conhecida como a “cidade poética do Piauí”, que terá seu centro histórico destruído devido à inundação causada pela construção da Usina Hidrelétrica/ UHE do Estreito do Parnaíba, a ser implantada naquele município.

Com a construção desta Usina, com capacidade de gerar 86mv, e investimento orçado em R$ 521,6 milhões, a área de alagamento para a construção da barragem, será o equivalente a 17,22 Km² e 136 casas serão atingidas. Deste quantitativo de imóveis, observa-se que todos pertencem a um dos mais significativos sítios arquitetônicos do Estado do Piauí.

Segundo informações (SILVA FILHO, 2008, p.119), Amarante teria tido, tal como a nova capital piauiense, Teresina, fundada em 1852, um plano regulador para o seu traçado entre os três cursos d’ água, o Parnaíba, o Mulato e o Canindé, possuindo esquema de parcelamento, com lotes de frente para os logradouros que descem ao rio. Observa-se ainda que, a maioria das casas está voltada para esses arruamentos, conforme pode ser constatado na imagem abaixo .

BARRETO (1975, p.201) escreveu que a “morada inteira”, esparramada, é a casa do Piauí, e observa-se que a cidade de Amarante é a que tem conservado de melhor forma este acervo . No local encontram-se vários exemplares, bem conservados, destas “moradas”, que possuem solução em planta composta de um corredor central de acesso, que se comunica com quarto e alcova, que se repetem para ambos os lados com a mesma disposição.

Uma varanda posterior arremata o bloco, que possui uma edícula de serviço, com cozinha, banheiro e depósito. Não existe recuo frontal e geralmente, as casas são geminadas. Um pátio interno, composto de poço, árvores frutíferas criam um micro-clima e um espaço de transição entre a área externa e interna.

Estas casas possuem paredes internas que não chegam até o teto, permitindo a ventilação constante do ar, deixando á mostra a solução dada à cobertura, que geralmente utiliza a madeira da carnaúba em vigas, ripas, reforçadas com troncos de pau d’arco. O tratamento dado ao revestimento dos pisos, em ladrilhos hidráulicos decorados com motivos geométricos e cores que contrastam entre si, forma ricos tapetes. As esquadrias destas “moradas” também são bastante detalhadas.

A grande contradição é gerada, quando por um lado, se possui um sítio cultural da magnitude do acervo natural e construído, material e imaterial da cidade de Amarante, e de outro, a construção de uma usina hidrelétrica, que para poder funcionar, gerando riqueza e novas oportunidades, terá que “inundar” toda uma história urbana e cultural.

O poeta e embaixador Alberto da Costa e Silva (2010) escreveu em seu blog sobre a hidrelétrica que vai inundar Amarante:

“Chega-me a notícia de que se pretende afogar nas águas de uma represa a cidade piauiense de Amarante. O autor da desastrada idéia não deve saber o que é belo ou lhe ter horror. Assemelha-se a quem planejasse destruir, em Minas Gerais, Mariana ou Tiradentes, ou aterrar, no Rio de Janeiro, a enseada de Botafogo.”

Faz-se necessário que medidas sejam tomadas urgentemente para evitar tal crime ao patrimônio cultural piauiense e nacional. A magnitude do acervo de Amarante não pode ser destruída de forma tão impiedosa, apagando da memória um documento edificado, exemplar único do urbanismo e da arquitetura brasileira.


Referências bibliográficas:

BARRETO, Paulo T. O Piauí e sua arquitetura in Arquitetura Civil. São Paulo: FAUUSP, 1975.

SILVA FILHO, Olavo Pereira da. Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhy. Belo Horizonte: Ed. do autor, 2007.


24.10.10

Palestras sobre arquitetura contemporânea na UFPI


Prof.Dr.Hugo Segawa e a arquiteta Kaki Afonso



Prof.Dr.Hugo Segawa e a arquiteta Kaki Afonso, com o prof.Dr. André Argollo.

Estiveram proferindo palestras para alunos do curso de arquitetura e urbanismo da UFPI, no auditório do Centro de Tecnologia, no dia 21 de outubro, os professores Dr. Hugo Segawa(FAU USP) e Dr.Edson Mahfuz (Propar/UFRS), convidados pela profa. Dra Alcilia Afonso(Kaki).

Os temas trataram sobre a produção contemporânea latino-americana, tomando como estudo a cidade de Medelin na Colômbia, exposta pelo Hugo Segawa, exemplificando os casos dos parques bibliotecas construidos na cidade.



Prof.Dr.Hugo Segawa

O arquiteto Edson Mahfuz expos a sua produção realizada nos últimos anos, mostrando projetos realizados com critérios da modernidade, que adotam valores como o uso da modulação, o rigor, a atenção ao detalhe, volumetrias racionais, que vêm sendo difundidas nas obras do arquiteto catalão Hélio Piñon.


Prof.Dr. Edson Mahfuz


O prof.Dr.André Argollo, da FEC/UNICAMP prestigiou o evento, dando margens à discussões reflexivas sobre a realidade nacional e local.

Após o evento, foram todos degustar da culinária piauiense, provando a paçoca, a maria isabel, o baião de dois e a famosa cajuina cristalina de Teresina!

14.10.10

Palestras Hugo Segawa e Edson Mahfuz no CT/UFPI.Teresina.



No próximo dia 21 de outubro de 2010, às 9h, haverá no auditório do Centro de Tecnologia da UFPI, duas importantes palestras sobre arquitetura, que fazem parte da programação paralela
da XIV FECON.

As palestras serão proferidas pelos arquitetos e professores Hugo Segawa da FAUUSP, e Edson Mahfuz do PROPAR/UFRS. Será um momento bastante rico, pois o público acadêmico da área de arquitetura/história/projetos terá a oportunidade de assistir estes dois grandes nomes da arquitetura brasileira.

A organização das palestras está a cargo do grupo de pesquisas Modernidade Arquitetônica da UFPI,coordenado pela prof.Dra.Alcilia Afonso (Kaki).

12.10.10

Lançamento do livro Documentos de Arquitetura Moderna no Piauí



De autoria, da arquiteta e professora Dra.Alcilia Afonso ( Kaki), com a colaboração da arquiteta Ana Rosa Negreiros, o livro Documentos de Arquitetura Moderna do Piauí será lançado durante a XIV FECON, no dia 20 de outubro, no espaço de convivência do Atlantic City, em Teresina.

São 310 páginas dedicadas ao estudo da modernidade arquitetônica piauiense, fruto de pesquisas realizadas pelo grupo de investigação coordenado pela professora Alcilia Afonso, que vem resgatando o acervo piauiense, levantando dados sobre autores e obras de grande valor arquitetônico.

A publicação recebeu o apoio do SINDUSCON/PI, através de seu presidente Andrade Júnior, que através de parcerias com o CREA/PI, e a Gráfica Halley, viabilizou a edição de 600 exemplares nesta primeira edição.

O material é inédito, rico e dará suporte para futuras pesquisas na área da arquitetura brasileira, especificamente, a piauiense.

11.10.10

LIVRO: DOCUMENTOS DE ARQUITETURA MODERNA NO PIAUÍ


Autoras: Alcilia Afonso e Ana Rosa Negreiros

Em 2007, foi criado o Grupo “Modernidade arquitetônica”,grupo de pesquisa sobre arquitetura moderna produzida no Piauí, que vem atuando até nossos dias.

A proposta inicial foi a de criar no curso de graduação em arquitetura

e urbanismo da UFPI, um embrião de um futuro núcleo, baseado e tomando como modelo, o trabalho metodológico desenvolvido pelo Grupo Form, coordenado pela prof. Dra. Teresa Rovira no programa de doutorado em projetos arquitetônicos da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona da Universidade Politécnica da Catalunha. (ETSAB/ UPC).

Como ex-aluna do programa, ex-orientanda da professora catalã, e investigadora colaboradora do Grupo Form, trouxe a metodologia de pesquisa para o Piauí e implantei junto aos alunos, um grupo de investigação formado por ex-alunos e alunos do curso da UFPI, que vêm colaborando de forma constante e enriquecedora com as pesquisas sobre modernidade arquitetônica no Estado.

Este livro é um dos excelentes resultados deste trabalho: formado por artigos publicados pelos membros do Grupo, em congressos nacionais, além de um inventário analítico arquitetônico sobre as principais obras modernas, ou que utilizam na contemporaneidade, critérios projetuais da modernidade.

É um trabalho inédito, e da maior importância para o estudo da arquitetura piauiense, pois por primeira vez, os projetos arquitetônicos são resgatados , através de desenhos, fotografias, além, de também, estar se levantando e divulgando dados sobre os principais profissionais que implantaram a modernidade no Estado, expondo as suas biografias.

Trata-se, pois, de um rico trabalho de resgate da memória arquitetônica piauiense, ainda tão pouco estudada e difundida. A qualidade alcançada da obra apresentada é fruto da dedicação de nossos incansáveis e empolgados colaboradores.

Dedica-se aqui, um agradecimento especial à arquiteta e ex-aluna, Ana Rosa Negreiros Feitosa, e à aluna Samara Veloso,que montaram todo o trabalho, dedicando grande parte de seu tempo a esta empreitada.

Esclareço ainda, que se trata de uma difusão inicial, que certamente dará origem a demais que virão mais aprofundadas, e com um maior número de exemplares. Mas, o que se quer, é dar inicio ao processo de divulgação deste acervo o quanto antes e procurar tomar medidas urgentes no sentido de inseri-lo no rol das obras a ser preservadas pelos órgãos competentes em nível nacional, estadual e municipal.

A primeira edição foi possível graças ao apoio da UFPI, do Sinduscon/PI, do Crea /PI e da Gráfica Halley, que patrocinaram a publicação desta obra.

Prof. Arq. Dra. Alcilia Afonso (Kaki).

Coordenadora do grupo de pesquisa sobre Modernidade Arquitetônica. UFPI