foto:kaki afonso
foto:kaki afonso
Projetos, imagens urbanas e resgate da arquitetura moderna através de textos, fotografias e (re)desenhos.
A arquitetura piauiense civil urbana da cidade de Amarante é de uma riqueza plástica ímpar, com suas moradas inteiras,possuidoras de ricas esquadrias, com arcos ogivais, e bandeiras trabalhadas, seja na madeira, seja,na própria alvenaria.Observa-se ainda, uma nítida influência árabe nos ornamentos trabalhados.
É muito bom, quando a arte se integra à arquitetura e o produto é um deleite visual para quem usufrui destes espaços.
Barcelona possui uma grande quantidade de obras públicas, nas quais a arte e a arquitetura se encontram em perfeita harmonia, fazendo com que a cidade se transforme em um dos locais mais ricos para quem gosta e faz arquitetura.


Os arquitetos Reginaldo Esteves e Marcos Domingos: dois discípulos da Escola de Recife.
Dessa forma, é que se pretende divulgar a produção arquitetônica moderna realizada pelos primeiros discípulos destes arquitetos professores do curso de arquitetura da antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco, posteriormente transformada em Faculdade de Arquitetura: Heitor Maia Neto, Mauricio de Castro, Reginaldo Esteves, Valdeci Pinto, Paulo Vaz, Marcos Domingues, Carlos Correia Lima, Edison Lima, Augusto Reynaldo, Dílson Mota, Hélio Moreira e Ana Regina Moreira. É um trabalho inédito, uma vez que resgata e confronta pela primeira vez a atuação destes profissionais, que vêm sendo objetos de estudos, mesmo após o término da pesquisa realizada para a elaboração da tese doutoral.
O arquiteto Mauricio Castro, também ex aluno de Russo e Borsoi.
Entre estes seguidores, que podem ser considerados “discípulos”, pois seguiram e deram segmento as aprendizagens recebidas através de seus mestres/ professores, possuem alguns que, além de haverem sido alunos dos mesmos, tiveram a oportunidade de conviver com estes, tanto como colaboradores no desenvolvimento de projetos modernos realizados no Estado de Pernambuco, como também, trabalhando como monitores e futuros professores da Escola na qual estudaram, levando dessa forma, tal experiência para as suas práticas individuais.
A pesquisa sobre estes profissionais foi obtida de uma coleta de dados realizada para a elaboração de um capitulo de tese doutoral realizada na área de projetos arquitetônicos, conforme foi citado anteriormente, utilizando uma metodologia que trabalhou com pesquisa de campo, realizando entrevistas com profissionais que atuaram nos anos 50 e 60 na cidade de Recife, visitando as obras ainda existentes e as fotografando, procurando pistas dos projetos em arquivos públicos e privados, a fim de identificar a influência dos recursos da modernidade empregados nestas propostas. A investigação realizada no arquivo do CREA/ PE forneceu também, importante material que possibilitou dados fundamentais para este trabalho.
As informações gráficas dos projetos investigados destes discípulos foram “descobertos” em jornais locais da época, principalmente, a Folha da Manhã, que publicava aos domingos um caderno cultural que dedicava uma página à arquitetura.Durante quase três anos foi produzido pelo IAB/ PE um rico material que constantemente divulgava a produção destes arquitetos, que além de fazerem parte da diretoria do IAB, também eram os que mais encomendas recebiam, sendo reconhecidos por suas atuações, obtendo de uma forma justa, um espaço na imprensa para a divulgação de suas obras.
Dessa maneira, a intenção é divulgar a riqueza deste conjunto de projetos e obras inéditas, a fim de proporcionar aos pesquisadores da área, o conhecimento do trabalho de uma série de profissionais de grande importância para a boa qualidade da arquitetura moderna produzida no nordeste brasileiro.
A arquitetura é um produto resultante da relação do homem com o seu meio e para isto ele vai criar ou adaptar soluções próprias à sua realidade local.
As residências coloniais piauienses possuiam paredes de adobe ou pedra, utilizando-se carnaúbas nas estruturas dos seus telhados, lajotas cerâmicas, pés direitos altos, paredes internas de meia-altura, peitoris nas varandas, puxados, pátios internos. As Igrejas ,por sua vez, eram simples e sóbrias, com linhas puras, sem derramamentos plásticos. Assim é a produção arquitetônica do Piauí durante os séculos XVIII e XIX.
As primeiras igrejas piauienses são simples, rústicas, despojadas, sóbrias, com frontispícios limpos. Influenciadas pela arquitetura jesuítica, são um retrato do era a vida no Piauí durante essa época: são edificações com soluções técnicas e estéticas básicas. Uma concepção totalmente diversa do que estava sendo produzido em outras regiões brasileiras, como
De acordo com a Constituição Federal de 1988, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes gerações futuras”.
Dessa forma, o projeto de criação do Jardim Botânico de Teresina tem como objetivos, promover a pesquisa, a conservação, a preservação, a educação ambiental e o lazer compatível com a finalidade de difusão da flora e sua utilização sustentável; proteger espécies raras ou silvestres, ameaçadas de extinção; promover intercâmbio cientifico, técnico e cultural com entidades e órgãos nacionais estrangeiros, estimulando e promovendo a capacitação de recursos humanos, além de desenvolver uma política de educação ambiental: uma área que além de preservar o meio-ambiente, possa proporcionar ao cidadão, opções de lazer, ócio e ao mesmo tempo, inseri-lo no processo de educação ambiental.
A metodologia trabalhada vem a ser a aplicada na disciplina de projetos arquitetônicos, trabalhando inicialmente com o reconhecimento da realidade construída, levantando dados in loco, sobre as condições do entorno, do terreno, da quadra e o bairro, bem como os aspectos históricos e culturais que estão relacionados com aquela região urbana. Posteriormente, foi realizado um estudo
sobre a legislação e uso do solo, e uma avaliação sobre os condicionantes naturais: dados climatológicos, topografia, vegetação e tipo de solo.
Após o diagnóstico realizado na primeira etapa do projeto, foi elaborado um programa de necessidades, no qual ouviu-se os agentes diretamente envolvidos com o futuro Jardim Botânico.
O programa de necessidades do Jardim Botânico de Teresina proposto abarca um setor administrativo; núcleos de educação ambiental, composto por oficinas de arte educação e ambiente, bibliotecas, auditório e museu de ciências naturais; núcleo de pesquisa ambiental, composto por laboratórios para estudo da fauna e flora, herbários, biblioteca setorial; jardim dos sentidos com infra-estrutura para apoiar a visitação de deficientes físicos como opção de lazer e tratamentos para sensibilização de odores, sons, toques; uma praça de alimentação para apoiar as visitações dos estudantes à área, com refeitórios, baterias sanitárias e cozinha de apoio; além de um tratamento paisagístico adequado para as trilhas, trabalhando com a limpeza das vias, sinalização e mobiliário urbano (lixeiras, bancos, postes e iluminação) das mesmas, além de beneficiar também o acesso a deficientes físicos para que possam usufruir da área.
A intervenção arquitetônica nos edifícios projetados trabalhou baseada nos princípios de sustentabilidade ambiental, dado ênfase desde o inicio à correta implantação dos novos edifícios, privilegiando a escolha de áreas, que minimizassem os problemas de extensão da infra-estrutura, também, levando-se em consideração a recuperação de áreas degradadas no parque, que necessitam de imediatas intervenções, após análises realizadas pelo diagnóstico.
Sem dúvida, no caso da cidade de Teresina, possuidora de uma latitude de 5º sul, a orientação solar é o elemento mais importante para o desempenho energético dos edifícios projetados. Por isso, a atenção dada à correta orientação dos edifícios foi fundamental no partido arquitetônico adotado, a fim de solucionar o problema climático teresinense, que chega a temperaturas dos 40º , com a inexistência de uma ventilação constante, uma vez que a capital piauiense está implantada a 350km do litoral, possuindo características geográficas que favorecem o aquecimento.
A questão das aberturas dos edifícios e seus devidos fechamentos também foi outro ponto importante considerado no projeto, observando-se a compatibilidade destes com a orientação dos mesmos. Complementando-se tais recursos, com a utilização correta de especificações de materiais, estudando-se não somente a energia acumulada durante o uso, mas também aquela eventualmente absorvida em sua produção, evitando a utilização de materiais inadequados para a realidade sócio-cultural e econômica local.

Figura 01: Proposta desenvolvida por equipe de alunos utilizando soluções racionais e bioclimáticas em plantas e volumetrias dos edifícios.(3D:Valério Araújo)

Figura 02: Nas propostas do grupo foram trabalhados recursos que buscam a sustentabilidade dos edifícios, com atenção especial à melhoria climática.(3D:Valério Araújo)
RESULTADOS PARCIAIS
Após a realização das etapas do projeto, compostas por diagnóstico da área, estudos preliminares, anteprojeto e elaboração de propostas para o projeto básico, o próximo passo a ser dado será a apresentação do mesmo às autoridades municipais, estaduais e federais envolvidas com a gestão do meio-ambiente em Teresina, a fim de que algo seja feito no sentido de retirar do abandono no qual se encontra, a área verde de 32 hectares localizada no bairro do Mocambinho.As propostas desenvolvidas pelo grupo de pesquisa alcançaram um excelente grau projetual que merecem ser consideradas pelas autoridades públicas e serem aproveitadas em prol da melhoria da qualidade de vida da comunidade teresinense, que urge por qualificação urbana ambiental.
AGRADECIMENTOS
Ao IBAMA/ Piauí; a Secretaria Municipal de Planejamento; e aos alunos do grupo de pesquisa em projetos arquitetônicos da UFPI, que colaboraram no desenvolvimento da pesquisa e das propostas: Ana Rosa Negreiros, Valério Araújo, entre outros.
BIBLIOGRAFIA
ANDREOLI ,E & Adrian Forty.(2004). Arquitetura Moderna Brasileira. Londres:Phaidon.700p.
CUNHA, E (coord). (2005) Elementos de Arquitetura de Climatização Natural. 2ed. Passo Fundo: UPF, 180p.
DEL RIO, V. (1990).Introdução ao Desenho Urbano no processo de planejamento. São Paulo: Pini.320p.
HOLANDA, A (1976). Roteiro para construir no nordeste. Arquitetura como lugar ameno nos trópicos ensolarados. Recife: UFPE. MDU.90p.
LAMAS, J.M.G.(2000) Morfologia Urbana e desenho da cidade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.630p.
LYNCH, K.(1980). Planificación del sitio. Barcelona. Ed. Gustavo Gili.520p.
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PIÑON, H. (2006). El Proyecto como (Re)Construcción. Barcelona: Ediciones UPC.260p.
PIÑON, H. (2005-2006). Materiales de proyecto. volumes 1,2,3.Barcelona: ETSAB.300p.
Infelizmente, apesar de tal fato, o mercado ainda é machista em determinadas áreas, como, por exemplo, ocorre com a elaboração de projetos arquitetônicos de grandes empreendimentos, ficando destinados às mulheres, projetos de arquitetura de interiores, ou mesmo, a área de ensino, pesquisa, preservação e paisagismo.
Mas, cabe a nós, arquitetas, profissionais liberais ou não, reforçar o nosso papel nesta sociedade e a importância do nosso trabalho em todos os campos da arquitetura e do urbanismo. Esta coluna, portanto, será dedicada a divulgar o trabalho de brilhantes arquitetas internacionais, nacionais e locais que muito vêm contribuindo para o desenvolvimento do saber arquitetônico em todas as partes do mundo, como veremos a seguir com arquitetas de origem alemã, italiana, iraquiana, japonesa, e brasileiras.
Lilly Reich

Designer alemã, nascida em Berlim, em 16 de Junho de 1885, foi companheira pessoal e profissional do arquiteto Mies Van der Rohe, durante treze anos(1925/1938). Aos 29 anos (1914) abriu seu próprio escritório onde realizou uma série de trabalhos, e em 1920, tornou-se a primeira mulher diretora do Deutsche Werkbund, a Bauhaus, a mais importante escola de arte e arquitetura vanguardista do século XX, que revolucionou os conceitos e a prática profissional na época. No período no qual trabalhava em parceria com Mies, criou uma série de 15 cadeiras, que se tornaram peças clássicas do design moderno, entre elas as poltronas Barcelona e Brno. Seu trabalho era reconhecido pela limpeza plástica, discrição e elegância.Sem dúvida, é um dos principais nomes do design moderno, havendo contribuído bastante com os projetos de Mies na época para o Pavilhão de Barcelona e a casa Tugendhat em Brno.
Lina Bo Bardi

Achillina Bo,conhecida como Lina Bo Bardi, nasceu em Roma em 5 de dezembro de 1914, graduando-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma. Casou-se com o jornalista Pietro Maria Bardi em 1946 e neste mesmo ano, em parte devido aos traumas da guerra e à sensação de destruição, veio para o Brasil, país que acolheu como lar e onde passou o resto de sua vida , se naturalizando brasileira em 1951. Mulher inquieta, culta e inteligente, logo manteve contato com os principais nomes da modernidade arquitetônica brasileira, tendo iniciado no Brasil um importante conjunto de obras, nos quais se destacam em São Paulo, a Casa de vidro, a sede do MASP, o SESC Pompéia; e em Salvador, a restauração do Solar do Unhão.
Zaha Hadid


A arquiteta iraquiana nasceu em 31 de Outubro de 1950 em Bagdá e seu trabalho se identifica com a corrente desconstrutivista da arquitetura. Em 2004, Hadid se tornou a primeira arquiteta mulher a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura pelo conjunto de sua obra. Anteriormente ela também foi premiada pela Ordem do Império Britânico pelos serviços realizados à arquitetura. Trabalhou com o seu professor, o arquiteto Rem Koolhaas. Em 1979, passou a estabelecer prática profissional própria em Londres. E daí por diante, sua obra passou a possuir certo renome. Possui projetos executados na Europa, América do Norte, destacando-se entre estes: Vitra Fire Station (1993), Weil am Rhein, Alemanha; Centro Rosenthal de Arte Contemporânea (1998), Cincinnati, Ohio, EUA; Terminal Hoenheim-North & estacionamento (2001), Estrasburgo, França.
Toshiko Mori

É uma arquiteta que vem atuando com escritório em Nova Yorque desde 1981, sendo também professora em Havard. Seus projetos se caracterizam por trabalhar com os recursos da modernidade, denotando uma nítida influência miesiana, presente nas transparências espaciais, atenção à estrutura e ao detalhe. Possui projetos executados em varias cidades americanas, destacando-se os desenvolvidos na área comercial, residencial e institucional. Desenvolve trabalhos para as marcas Yssey Miyake, Comme des Garçons. Sua produção é limpa, transparente, clássica e moderna ao mesmo tempo: essencial.
Janete Costa

A arquiteta pernambucana Janete Ferreira da Costa nasceu na cidade de Garanhuns, no ano de 1932, havendo estudado em Recife e no Rio de Janeiro. Tem trabalhos realizados em todo o Brasil, e no exterior, sendo reconhecida como uma das mais importantes arquiteta de interior brasileira. Foi aluna de Acácio Gil Borsoi e depois se tornou sua esposa e companheira profissional, e segundo depoimento do arquiteto, foi ela a pessoa quem mais o incentivou a torna-se o grande arquiteto que é. O trabalho de Janete tem como características, além da linguagem contemporânea, o profundo conhecimento dos materiais e da sua adequação e coerência com os ambientes criados, a valorização do artesanato brasileiro e a criação de design exclusivo e personalizado para os projetos. Foi ela quem introduziu o artesanato na arquitetura de interiores no Brasil, trabalhando com o contraste entre rusticidade e refinamento. Atua com escritório de arquitetura de interiores no Rio de Janeiro e em Recife, realizando projetos em todo o território nacional.
Rosa Kliass
A paulista Rosa Grena Kliass é arquiteta- paisagista considerada uma das mais importantes na história do Paisagismo brasileiro moderno e contemporâneo. Entre suas obras destaca-se a reforma do Vale do Anhangabaú e o projeto paisagístico do Parque da Juventude, ambos na cidade de São Paulo. É graduada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) em 1955, tendo estabelecido desde então prática profissional ligada predominantemente à arquitetura paisagística, sendo ganhadora de inúmeros prêmios nesta área. Também é consultora de diversos órgãos estatais, e autora de vários trabalhos publicados no país e no exterior. Além de sua prática profissional em projetos de parques, escreveu uma das obras referências na área, o livro Parques urbanos de São Paulo, desenvolvido a partir do tema de sua dissertação de mestrado, defendida em 1989 na FAUUSP. É fundadora e ex-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP).
Arquiteta, professora adjunta do curso de arquitetura e urbanismo.DCCA/ CT/ UFPI.Doutora em projetos arquitetônicos pela ETSAB/ UPC.
“Lembro-me quando criança, na década de 70, quando vivia em uma casa na praia de Tambaú, na cidade de João Pessoa, de sua fachada marcada por um telhado com formato de asas, que jamais saiu de minha memória, e que somente anos depois, tive a oportunidade de investigar sobre o porquê de sua existência...”
figura 01
A solução em utilizar cobertas em duas águas com o deságüe até o centro, simplificando a recolhida da água, repercutindo no valor do espaço interno, começou a ser usado pela primeira vez por Le Corbusier y Pierre Jeanneret, em um projeto não construído para a Casa Errázuriz, Zapallar, no Chile, em 1930.Em 1935, na Ville La Sextant, em La Palmyre-les Mathes, nos arredores de La Rochelle, a casa projetada para finais de semana, empregando materiais vernaculares, também foi projetada com um telhado em duas águas convergindo para o centro.
Posteriormente o telhado em “asa de borboleta” , como é conhecido, foi adotado na arquitetura moderna brasileira, através principalmente das obras de Oscar Niemeyer, nos finais dos anos 30, como a casa M. Passos (1939), alcançando uma maturidade formal no projeto do Yacht Clube de Pampulha,em 1940-42 e na casa Juscelino Kubitescheck, ambas em Pampulha, Belo Horizonte.