21.6.09

Igara Clube de Parnaíba. Anísio Medeiros


Detalhe da fachada principal. Autoria: Alcilia Afonso. Data: JUNHO/2009.


O “Igara Clube” foi projetado pleo arquiteto Anísio Medeiros eestá localizado na Avenida Beira-Rio, às margens do Rio Igaraçu, na cidade de Parnaíba, região norte do Estado do Piauí. A Cidade de Parnaíba dista da capital teresinense, 350 km e possui um clima tropical semi-árido, quente com temperaturas amenas e ventilação constante anual.

O terreno no qual a edificação está implantada é plano, e na locação, o arquiteto optou por colocar o imóvel pouco recuado da via de acesso, estando o edifício em contato direto com a rua. Na concepção projetual, observa-se mais uma vez, a preocupação de Anísio Medeiros em adotar critérios constantes em sua produção, tais como a atenção à estrutura e às soluções climáticas.

A estrutura desta obra foi solucionada no bloco principal, de forma sistemática e modulada, utilizando na parte frontal, pilares em “V” em pedra da região, com modulação de 3m entre os vão, e pilares em troncos de carnaúba, palmeira regional de grande resistência, que suportam os beirais. Nesta solução, pode ser observada a influência do mestre Lúcio Costa, especificamente do projeto desenvolvido para o hotel em Friburgo, onde o arquiteto utilizou materiais construtivos da arquitetura vernácula compondo com os critérios projetuais modernos.



Detalhe da fachada principal.
Autoria: Alcilia Afonso. Data: JUNHO/2009.



Anísio no projeto do “Igara Clube” demonstrou como é possível aliar modernidade e tradição, trabalhando com grandes vãos livres no pilotis e no salão de festas, transparências espaciais, uso de modulação em planta e fachadas, atenção aos detalhes construtivos aliados a materiais locais, como a carnaúba, a pedra “cabeça de jacaré”, madeiras regionais como o cedro e o jatobá.

A planta em formato de “L” possui na primeira ala- frontal- dois pavimentos, e na ala posterior, apenas um. Esta primeira ala é coberta com um telhado único em uma água, sendo revestido com telha de cimento-amianto. A segunda, com apenas um pavimento, possui uma cobertura que funciona como um agradável terraço-jardim, que serve de mirante e área de apoio ao salão de festas.



Detalhe da fachada principal.
Autoria: Alcilia Afonso. Data: JUNHO/2009.

Desperta interesse na edificação os materiais de acabamento utilizados: cerâmica nas cores vermelha, laranja e preto, irregulares, e formando painéis modulados, criando ricos tapetes nos pisos; pastilhas coloridas em tons de azul e rosa, nos antigos banheiros e corrimãos, em madeira (parte frontal da varanda) ou em barras de ferro lisas, com os empregados no terraço-jardim externo.



Detalhe da fachada principal.
Autoria: Alcilia Afonso. Data: JUNHO/2009.


O que causa desânimo em nossa pesquisa sobre este edifício é constatar o estado de abandono no qual o edifício se encontra. Pertencente a uma sociedade de afiliados ao “Igara Clube”, o prédio está em avançado estado de destruição, abandono, sendo saqueado por pessoas, que não imaginam o mal que estão causando, ao depredarem este importante acervo moderno.

É lastimável ver mais uma importante obra do Arquiteto Anísio Medeiros ser destruída e os órgãos competentes pela preservação não atuarem de uma forma mais eficaz.


Detalhe da fachada principal. Autoria: Alcilia Afonso. Data: JUNHO/2009.

Uma proposta para casa popular piauiense



Proposta de casa popular, com influência da arquitetura piauiense.
Autoria:Kaki Afonso.
Desenhos: 3D. Bruno Andrade



Estamos trabalhando com uma turma de alunos/pesquisadores voluntários e bolsistas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPI, em projetos para habitação de interesse social a serem implantados em municípios piauienses.

Estas propostas visam projetar uma arquitetura voltada para a realidade sócio-cultural, geográfica e econômica do Estado e serem apresentadas aos órgãos responsáveis pleos programas habitacionais como ADH/ Agência de Desenvolvimento Habitacional e Caixa Econômica Federal.

O que nos parece surreal é que a cartilha difundida pelo program "Minha Casa, Minha Vida",divulgue ali, protótipos modelos que estão sendo implantados nas mais distintas realidades regionais brasileiras.

A FNA/Federação Nacional de Arquitetura já se manifestou com notas de repúdio a tal medida, que além de prejudicar irremediavelmente os usuários, uma vez que estes projetos não possuem identificação com o meio local, ainda retira do mercado profissional arquitetônico a oportunidade de participar deste programa que trará grandes recursos inseridos em programas na área.


5.6.09

A catástrofe da barragem de Algodões 1: maio de 2009.




Foto:Kaki Afonso. junho 2009.

A paisagem devastada no Povoado Franco: Cocal da Estação




Foto:Kaki Afonso. junho 2009.

A impressão de apocalipse:destruição da paisagem.


Estive visitando no dia 4 de junho a área atingida pelos estragos causados pela ruptura da barragem de Algodões 1, região norte do Piauí, que assolou comunidades dos municípios de Cocal da Estação e Buriti dos Lopes, áreas nas quais, passa o rio Pirangi.


A visita técnica fez parte de estudo de caso do Grupo de pesquisas que coordeno sobre Habitação de Interesse Social Piauiense, cadastrado na UFPI/CNPQ/FAPEPI, e que conta com a participação de alunos bolsistas e voluntários do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPI( Jandiane Braga e Lumena Adad).


Acompanhada de técnicos da ADH (Agencia de Desenvolvimento Habitacional), estivemos presenciando a dura realidade que vem passando aquela população ribeirinha que teve suas casas destruídas pela força da água, que após a ruptura da barragem, saiu arrastando estradas, pontes, casas, comunidades, animais e, até, e principalmente, seres humanos, que, infelizmente, morreram em decorrência da catástrofe ocorrida.



Foto:Kaki Afonso. junho 2009.

A vegetação destruida.



Foto:Kaki Afonso. junho 2009.

Estradas viscinais destruidas pela força da água



Não cabe aqui, apontar culpados pela tragédia, mas é lógico que houve erros técnicos gravíssimos durante o cálculo, e a construção da barragem, que não suportou o volume de água planejado para a mesma.


As pessoas que viviam em volta da área da Barragem de Algodões 1, como por exemplo, o povoado de Franco, no qual habitavam mais de 50 famílias, tiveram suas famílias, casas, terrenos, criações agrícolas e pecuárias, completamente destruídas. A região, anteriormente, verde, produtiva, transformou-se em um cenário apocalíptico de destruição ambiental: o solo lavado pela força da água, as árvores arrancadas, e nenhum resquício das antigas casas.




Foto:Kaki Afonso.junho 2009.

A paisagem devastada no Povoado Franco: Cocal da Estação



O que chamou a atenção foi a permanência dos antigos moradores das áreas atingidas, que vão ao local e ficam ali, olhando e relembrando os fatos ocorridos- e que nos parece, bastante compreensível, afinal, ali era o seu habitat, lugar de memórias, de suas estórias e histórias de vida: aonde nasceram, criaram suas famílias, trabalhavam, pescavam, plantavam, possuíam seus comércios.



Foto:Kaki Afonso.junho 2009.

Moradores do Povoado Franco:Cocal da Estação



Perguntamos o que eles desejavam fazer: se irem para uma nova área, projetada, espécies de agrovilas, com casas projetadas, equipamentos sociais, cívicos e religiosos, áreas de produção agro- pecuária- ou se queriam um terreno em uma área que não fora de risco, para recomeçarem as suas vidas.


Foto:Kaki Afonso.junho 2009.

Exemplo de assentamento rural em Buriti dos Lopes: área fora de riscos de inundações.



A surpresa foi escutar que nenhumas das opções lhe satisfaziam, pois o que realmente queriam,era voltar para o mesmo lugar no qual viviam, mesmo sabendo dos riscos que correm.


É difícil chegar a uma proposta de comum acordo,entre o ponto de vista técnico, da implantação em novas áreas que não sejam de risco, e o ponto de vista “sentimental”/social/histórico, que é o da ligação do homem com seu meio natural.


São decisões conflitantes, e que infelizmente serão emergenciais, pois existem centenas de famílias desabrigadas, alojadas em escolas, sem “um teto” para morar.


Contudo, devem-se levar em consideração tais aspectos aqui levantados, a fim de que as instituições municipais, junto com os organismos estaduais e federais possam tomar as medidas mais acertadas para o grave problema social.



Foto:Kaki Afonso.junho 2009.

Casas rurais destruidas na Região de Buriti dos Lopes.



O Grupo de pesquisa propôs uma pesquisa de campo a ser realizada por assistentes sociais, a fim de ouvir os anseios da população em relação ao tipo de moradia, para que após a análise dos dados, possa-se colaborar na proposição de projetos arquitetônicos e urbanísticos para a área.




Vamos aguardar os resultados para podermos colaborar.

24.5.09

É maio de 2009: Destruição e abandono no Centro de Teresina.

Por Alcilia Afonso




foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Centro "bombardeado".Rua Paissandú.



Impotência: é o sentimento que se sente ao constatar o que vem ocorrendo no Centro Histórico de Teresina. Destruição de quarteirões inteiros, guardadores de histórias de vidas e memórias de uma cidade, que parece em não se preocupar com a preservação de sua identidade cultural.

Os interesses econômicos e políticos falam mais alto: manda(m) o(s) empresário(s), o(s) político(s) que se esquece(m) que a Cidade também pertence à gente que nela vive. O mais absurdo é pensar que este discurso já é tão antigo, há tanto tempo vimos falando disso, esclarecendo que não é por este caminho que se deve tratar a imagem da cidade.

Mas parece, que “eles” não ouvem, não sabem e nem estão interessados com este “blá, blá,blá”!!! Deve parecer utópico para estes “seres alienados” de conceitos de cidadania, de preservação cultural, de valor histórico, de melhoria ambiental.

Enquanto estes “insensíveis” estiverem no poder- e parece que são seres resistentes e possuidores de grande durabilidade (infelizmente)- a cidade de Teresina e seu Centro Histórico vai sendo detonado, bombardeado, descaracterizado, se tornando cada vez mais feio, marginalizado e pobre.



foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Estacionamentos x Destruição. Rua Paissandú.


Sim, pois deve ser este o objetivo destas pessoas, criminosas, que destroem o patrimônio cultural urbano e arquitetônico da cidade, sem se importarem com as conseqüências de suas ações no cenário urbano.Só pensam em seus lucros, em vantagens próprias, e “estão se lixando” para o que podem estar causando para uma parcela da opinião pública.




foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Antigos moradores e trabalhadores da Rua Paissandú:
reflexões sobre o estado de abandono no qual se encontra a área, com marginalidade,
violência e destruição.




foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Centro "bombardeado". Rua Paissandú.
Em primeiro plano, metade do quarteirão recém demolido e ao fundo, o
Palácio Pelicano. Até quando ele resistirá?


O que ocorreu pela “enésima” vez na Rua Paissandu, antiga zona boêmia de Teresina é uma grande lástima!Destruíram várias casas, expulsando moradores, matando histórias, para construírem mais uma loja de departamentos na área. E aí, eu me pergunto:

1) Será que estas pessoas não sabem e não vêem que o Centro não comporta mais este tipo de uso? Pois o acesso a ele é cada vez mais difícil, não há possibilidade de estacionamentos, nem de se circular ali, com a invasão constante e diária de camelôs?



foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Cenário da ocupação das ruas do Centro de Teresina.
Camelôs são os "donos",impossibilitando a acessibilidade e prejudicando a preservação
e sustentabilidade da área.

2) O investimento realizado não poderia ter sido feito nas novas avenidas da capital, servidas de transportes públicos, com fácil acessibilidade para os consumidores?

3) Será que eles não sabem, que aquela região compõe o Centro Histórico da Cidade? Pode não possuir prédios monumentais, mas aquele conjunto guarda recordações e parte da história social da cidade?

4) E onde estão os órgãos municipais de proteção do patrimônio e de uso do solo, que permitem tal aberração?

Sinceramente, já estou “cansada” de bater na mesma tecla, durante anos e anos sobre estas questões. E aí, reflito, se devo me calar e me acomodar, achando que não tem mesmo mais solução, ou se devo, insistir em tentar “educar” , conscientizando instituições, agentes, cidadãos do risco que corremos em ignorar tais questões.


Sei, porque não sou ingênua, dos interesses que existem por trás de tais intervenções urbanas. Sei também, que talvez, de nada adiantará reclamar e mostrar a minha indignação, mas mesmo assim, resolvo insistir, com a esperança que um dia, este povo tenha cultura, sensibilidade, memória e consciência de que o que eles fazem,estão prejudicando não apaenas e principlamente a todos os cidadãos teresinenses, mas também a eles.

É como diz o ditado: ”o pior cego é aquele que não quer ver”.




foto:Kaki Afonso.Maio/2009/Um bom exemplo no cenário caótico de que é possível
se preservar e ter lucros.

1.5.09

Série Cartões postais: Arquitetura da região norte do Piauí.


Desenho de Casa eclética em Parnaiba. Daniele Dantas.2008






Desenho de casa eclética em Piracuruca .Nestor Castro. 2009



Desenho de Sobrado em Parnaiba. Laerte Reis.2008


Um dos grupos de pesquisa que coordeno na Universidade Federal do Piaui, intitulado “Amigos do Patrimônio Cultural” e que estuda as manifestações da arquitetura piauiense irá lançar em breve, mais uma série de cartões postais desenhados a mão, por alunos pesquisadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPI, que desta vez resgatarão visualmente, e realizando um trabalho de educação patrimonial, o acervo arquitetônico de alguns edifícios neoclássicos, ecléticos e modernos da região norte piauiense.


O trabalho vem sendo coordenado pela estudante de arquitetura da UFPI, Michele de Moraes, que juntamente com outros alunos (Nestor Castro, Bruno Andrade, Daniele Área Leão, Laerte Reis, Felipe Fabrício, entre outros) estão finalizando a arte dos cartões que primarão em retratar a beleza e a riqueza desta arquitetura produzida no nordeste brasileiro e ainda tão pouco divulgada e (re)conhecida em nível nacional.