24.11.10

Interbau 57 x Niemeyer


Foto do catálogo da Mostra Interbau 57.
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010


Oscar Niemeyer é mesmo um dos personagens mais importantes da arquitetura do século XX e XXI. Sempre que se estuda algo que teve grande repercussão no meio arquitetônico mundial, ali está presente Niemeyer, representando o Brasil.

Recentemente, investigando sobre a Interbau 57, exposição sobre habitação de interesse social que ocorreu na cidade de Berlim para a remodelação urbana do bairro de Hansa, da qual participaram mais de 48 arquitetos, entre alemãs, e de vários outros países, e nomes como Jacobsen, Alvar AAlto, Le Corbusier, Gropius, entre outros, ai estava Niemeyer apresentando uma proposta, denominada de "objetos" para a mostra.

Vale salientar que esta mostra teve grande repercussão no cenário internacional, pois tratava de propor soluções para as cidades modernas que estavam sendo recosntruidas no pós-guerra e que também, enfrentavam problemas de exôdo rural.

O bairro escolhido, havia sido totalmente bombardeado, conforme pode ser constatado na imagem abaixo, e a intervenção urbana proposta preveu a construção de distintas tipologias habitacionais, tais como torres de 16 a 17 pavimentos, blocos de 8 a 10 andares, blocos mais horizontais de 4 a 5 pavimentos, casas de 2 a 3 andares multifamiliares, casas unifamiliares de 1 a 2 plantas, e equipamentos sociais, tais compo igrejas, edificios comerciais e culturais.


Foto do Bairro de Hansa.Berlim 1957
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010



Foto de publicidade do catálogo da Mostra Interbau 57.
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010



Foto do mapa
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010


A proposta que Niemeyer levou para Berlim, trabalhou com a solução projetual que o mesmo já vinha adotando na arquitetura brasileira naquela época, tal como o uso de pilotis em "V", volume prismático com 7 pavimentos, janelas horizontais, planta modulada, e destaque volumétrico para a torre de elevadores, revestida com azulejos.

A sua participação se dava no grupo B, da mostra, que estava destinada a blocos multifamiliares verticais de 8 a 10 pavimentos em construções isoladas.

Esta mostra serve de influência a vários conjuntos habitacionais do finla dos anos 50, e demonstra a preocupação arquitetônica em propor soluções tipológicas distintas à questão habitacional e que poderiam ser retomadas na contemporaneidade.

Observa-se no Brasil, que a questão da moradia vem sendo incentivada através de políticas públicas,mas ainda tem-se muito por avançar na qualidade das propostas realizadas, que carecem de mais estudos e aprofundamentos nas soluções projetuais referentes à diversidade tipológica, ordenação de volumes, criação de áraes verdes e equipamentos sociais,comerciais e de lazer.



Foto das páginas dedicadas ao "objeto" proposto pelo Niemeyer.
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010



Foto da proposta apresentada por Niemeyer
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010



Foto do marcador de livro que compõe o catálogo,junto com mais 3 tipos.
Kaki Afonso.ETSAV. nov. 2010

23.11.10

Conversando com Helio Piñon e aprendendo a projetar com critérios



Helio Piñon.Barcelona.nov.2010
foto:Kaki Afonso


Conversar com quem tem experiência em projetar com critérios de uma linguagem universal, na qual a visualidade que relaciona a arquitetura e seus elementos composicionais é sempre muito enriquecedor.

Desde que fui sua aluna no programa de doutorado em projetos arquitetônicos, linha A Forma Moderna, de 2002 a 2006, na ETSAB/UPC,em Barcelona, tornei-me sua seguidora e adepta de sua teoria e prática profissional, pois por primeira vez, após vários anos de atuação e formação, alguém me fez ver o que é fazer uma boa arquitetura, uma produção com valores, com critérios.

Sempre que posso e venho a Barcelona, assisto a suas aulas,c onverso informalmente com ele,p ois sempre está me aportando coisas novas.

Recentemente, a três anos, Piñon vem desenvolvendo a modelagem em sketchup, graças à força dada pelo arquiteto e professor da UFRS, Edson Mahfuz, que o ensinou como trabalhar com o programa. Depois desta introdução, Piñon tem se dedicado a projetar horas a fio, detalhando estruturas, esquadrias, planos, vegetação, mobiliário, tudo o que enriquece projetualmente,tecnicamente e visualmente um projeto.

Seus estudos atuais são de uma beleza alcançada graças ao seu conhecimento extraordinário em projetar, em fotografar, enquadrando com maestria os planos e o jogo de luz e sombra, e também,agora, ao domínio de programas gráficos como o sketchup e o atlantes para renderizar.

Suas sugestões didáticas também são bastante pertinentes e continuarei seguindo sua linha na minha prática profissional,seja como arquiteta, seja, como docente de projetos.



Helio Piñon.Barcelona.nov.2010
foto: "um colega que esqueci o nome!!!"

21.11.10

Visita em "La Floresta"/Barcelona


Foto:Kaki Afonso.La Floresta.nov.2010

"La Floresta" é um "pueblo", muito acolhedor que fica em direção a Sant Cugat, Barcelona.


Nos anos 60, muitos hippies catalãs foram viver ali, tendo acolhido até os dias atuais, pessoas ligadas à natureza e ao ar puro, que trabalham em Barcelona, mas que preferem uma vida mais tranquila no campo.



Foto:Kaki Afonso.La Floresta.nov.2010


Passei o dia em casa de um casal amigo e confesso que adorei o lugar, sua ambiência, os detalhes arquitetônicos que marcaram uma época.


Foto:Kaki Afonso.La Floresta.nov.2010


O local durante os anos 30, servia de veraneio para pessoas que necessitavam de um ar puro e tranquilidade,por isso, guarda em seu acervo arquitetônico um rico patrimônio.

18.11.10

Detalhes da arquitetura contemporânea em Barcelona

A tradição do tijolo/cerâmica é bastante forte em toda a Espanha, e na Catalunha, não é diferente.Em Barcelona, pode-se observar tal fato em detalhes de edifícios implantados no bairro nobre de Sarriá, aonde dominam as texturas com este material.

Desperta interesse o tratamento dado a colocação dos tijolos compondo ricos detalhes arquitetônicos, conforme pode ser constatado na imagem abaixo. É curioso observar o predomínio da cor "amarronzada" nas fachadas das ruas, e cada edificio contendo diferentes
texturas com estes tijolos aparentes.


foto:Kaki Afonso.Bcn.nov 2010.


foto:Kaki Afonso.Bcn.nov 2010.

Observa-se também, que na arquitetura mediterrânea barcelonesa, uma preocupação consatante com as soluções climáticas, tradição que vem de mestres catalãs como Sostres, Coderch e Mitjans que utilizaram panos de persianas corrediças em seus projetos precursores
nos anos 40 e 50.


foto:Kaki Afonso.Bcn.nov 2010.

16.11.10

De Barcelona:primeiras noticias desta estância.



foto:Kaki Afonso
Etsab/upc.nov 2010





foto:Kaki Afonso
Etsab/upc.nov 2010





foto:Kaki Afonso
Etsab/upc.nov 2010


Gosto de ver arquitetura de boa qualidade.
Gosto de observar detalhes de intervenção.
E ver como respeitam as relações espaciais:
alturas, materiais, planos,texturas..

O jogo de volumes, que criam estas relações de
aproximação ou, distanciamento.

É prazeroso visualmente quando se tem a limpeza,
o silêncio arquitetônico, o respeito do diálogo entre
uma intervenção contemporânea e uma, já existente.

O projeto acima é da nova biblioteca da Etsab/upc, em
Barcelona.

4.11.10

Gerson Castelo Branco em palestra na UFPI.


Gérson Castelo Branco.Foto:Rafael Sena.2010.
Auditório do CT/ UFPI



Com a professora e arquiteta Kaki Afonso e alunas de arquitetura da UFPI
Foto;Rafael Sena.2010




Gérson e Kaki Afonso
Foto:Rafael Sena.2010




Casa Roberto Silva.Pedra do Sal. Autoria:Gerson C. Branco
Foto:Kaki Afonso.2008.

No último dia 14 de outubro houve no auditório do Centro de Tecnologia da UFPI uma palestra com o artista plástico, "arquiteto" autodidata e paisagista, Gérson Castelo Branco, um dos mais importantes representantes da arquitetura piauiense no cenário nacional e internacional.
A palestra foi organizada pela jornalista Marta Tajra, que lançou edição de sua revista "Mercado do Imóvel" que viabilizou a vinda de Gérson ao Piauí, uma vez que este vive atualmente entre a cidade de Fortaleza e Viçosa , no Estado do Ceará.
A viabilização da sua participação nesta palestra foi realizada pelo grupo de pesquisas em arquitetura, coordenado pela prof.Kaki Afonso, que convidou alunos dos vários períodos da Ufpi
para conhecerem a produção arquitetônica do Gérson, não somente em terras pauienses,mas em todo o brasil,conforme foi exposto no evento.

Gerson nasceu na cidade de Parnaíba, litoral piauiense, no final de década de quarenta, e morou até os 12 anos em Luzilândia, cidade natal de seus pais. Logo em seguida, estudou em Fortaleza em um colégio interno, indo posteriormente realizar estudos superiores em Salvador, na área de Belas Artes.

Nesta época, segundo depoimento dado na revista Mercado do Imóvel (2010, ano V, No. 7 p.8), Gerson afirma que “na década de 70 participou da loucura baiana, a tropicália, convivendo em contato direto com Gil, Caetano e turma”. Tal convivência foi bastante frutífera, o influenciando em sua formação pessoal e profissional.

Não concluiu o curso superior, é autodidata, e começou a atuar profissionalmente projetando residências em seu Estado Natal.

Teve como influências a arquitetura produzida por Acácio Gil Borsoi, em Fortaleza, bem como, os trabalhos paisagísticos de Burle Marx.

A partir de então, iniciou uma prolifera produção, criando um estilo próprio, denominado “paraqueira”, no qual utiliza materiais construtivos autóctones, tais como a carnaúba, pedras de castelo, palhas da palmeira babaçu.

Este momento de sua carreira, caracterizou um estilo próprio vinculado diretamente a ele, que vem criando “escolas” regionalistas, mas que, observa-se grande riqueza plástica,mas pouca funcionalidade.

Realmente são projetos bastante criativos, orgânicos, que se integram com o meio-ambiente, fazendo parte da paisagem na qual estão inseridos.

Grande parte deles está implantado em Teresina, Coqueiro, Parnaíba, formando um rico acervo de obras a serem estudadas.

O grupo de pesquisas em arquitetura da UFPI vem realizando um inventário de suas obras como projeto de iniciação científica e que, brevemente serão divulgadas.

31.10.10

O processo de preservação da Fábrica de Lacticínios das Fazendas Nacionais em Campinas do Piauí.


Esboço da Fachada principal da Fábrica de Lacticínios em Campinas do Piauí de autoria do estudante de arquitetura e urbanismo da UFPI, Roosevelt Cavalcanti. Grupo de pesquisa “Amigos do Patrimônio”, Fonte: AFONSO, A. MORAES, M.2009.

Este texto que se intitula “O processo de preservação da Fábrica de Lacticínios das Fazendas Nacionais em Campinas do Piauí” pretende abordar a questão da preservação do patrimônio industrial e rural piauiense, apresentando um conteúdo de forma original e inédita, em nível nacional e internacional.

Tem como objeto de estudo a Fábrica de Lacticínios , que está implantada no município de Campinas do Piauí, e que se encontra em estado precário de conservação, mas passa atualmente, por um processo de tentativas de restauração e revitalização.

Os dados aqui expostos e as análises realizadas são referentes a este importante estabelecimento industrial, localizado em área rural do interior do Estado do Piauí, que fazia parte do patrimônio das Fazendas Nacionais, e que foi inaugurado em 1897.

Através de pesquisas realizadas pelo grupo de pesquisa “Amigos do Patrimônio”, do curso de arquitetura e urbanismo da UFPI, coordenado pela professora Dra. Alcilia Afonso, cadastrado na UFPI/ Universidade Federal do Piauí, obteve-se acesso aos dados coletados para a elaboração deste texto que segue metodologia trabalhada pelo grupo.

A Fábrica de Lacticínios é um exemplar da relação entre o patrimônio rural e o industrial no Estado, e passa por um complexo processo para a sua preservação, conforme será demonstrado neste texto.

Trata-se de uma edificação de grande valor arquitetônico e histórico, e que demonstra a vanguarda dos atores envolvidos no planejamento e na implantação desta obra, no final do século XIX, em uma região totalmente desprovida de infra-estrutura naquela época.

O local no qual foi edificada a Fábrica de Lacticínios havia sido no passado, propriedade do sertanista Domingos Afonso Mafrense, que ao morrer, em 1711, deixou como doação para os padres jesuítas, sendo posteriormente, após a expulsão destes em 1760, repassadas para o patrimônio real, divididas nas inspeções de Nazaré (Floriano), Canindé (Campinas) e Piauí:

“Eram, ao todo, 17 fazendas, subdivididas em 24. Depois de terem passado pela administração de jesuítas, corte portuguesa e monarquia brasileira, essas terras ainda representavam o enorme latifúndio deixado por Mafrense e pela Casa da Torre, que, no Piauí, se estendia da foz do Canindé até o extremo sul da Província, em um prolongamento que chegou a corresponder a cerca de 140 léguas.” (IPHAN-PI, 2008, p.36)

O projeto arquitetônico da Fábrica é atribuído ao engenheiro alemão Alfred Modrack, que também foi autor do Teatro 4 de setembro, construído em Teresina. Em ambos os projetos, Modrack adotou o estilo neoclássico para resolver a volumetria. Na obra do Teatro, iniciada em 1890 e concluída em 1894 (AFONSO, 2002, p.36) projetou um edifício com uma composição plástica simétrica, empregando elementos da linguagem neoclássica como frontão, modenatura bem marcada, pilastras pouco salientes, simetria na distribuição das esquadrias em arco ogival.

Para o projeto da Fábrica, continuou empregando os mesmos critérios projetuais utilizados no Teatro, mas observam-se um maior rigor formal, mais simplicidade projetual e construtiva. Os projetos desenvolvidos por Modrack no Piauí ainda são pouco estudados e merecem investigações mais aprofundadas, pois há inclusive certas indefinições que comprovem a autoria de suas obras, conforme colocou SILVA FILHO (2007, volume 2, p.274), sobre o projeto do Teatro 4 de Setembro.

O engenheiro industrial Antonio José Sampaio foi o idealizador da obra e responsável pela construção da Fábrica. Graduado na Escola Politécnica Federal de Zurique, Sampaio possuía um sonho e planejou bem a sua concretização:

“Com um plano de racionalização do aproveitamento da área, Sampaio ainda se valeria de sua experiência e estudos na Europa para fundamentar seus intentos em relação às Fazendas Nacionais. As muitas informações deixadas por ele revelam que, não obstante se tratasse de um prédio isolado no meio do sertão piauiense, a construção da Fábrica de Laticínios foi fruto da avaliação das potencialidades econômicas da época e do espaço”. (IPHAN-PI, 2008, p.37)

O processo de revitalização da antiga Fábrica de lacticínios é um desejo de preservação da memória coletiva de uma sociedade, que reconhece nesta edificação o valor histórico e arquitetônico que a mesma possui na formação histórica, social e econômica do Estado do Piauí, denotando uma forte relação entre a arquitetura rural e a industrial da época estudada.

Idealizada por um arrojado engenheiro agrônomo de formação européia, que arriscou construir em pleno sertão piauiense, no século XIX, um grande edifício neoclássico para produzir leite e manteiga, e que mesmo com as dificuldades enfrentadas de transição política entre o regime monárquico e a República, conseguiu durante meio século, inserir o Piauí no cenário industrial nacional.

Após a realização deste texto, conclui-se também, que há ainda muitos vazios nesta “história”, e que se necessitam maiores esclarecimentos a respeito de fatos levantados, como por exemplo, um maior aprofundamento investigativo sobre as fazendas nacionais no Piauí, a atuação do engenheiro alemão Modrack no Estado, e o trabalho precursor de Antônio José Sampaio.

Certamente, as reflexões aqui realizadas poderão despertar interesses em pesquisas futuras sobre estes temas, devendo colaborar com o entendimento da formação cultural do Piauí, e suas contribuições para a produção arquitetônica brasileira.

Referências bibliográficas:

AFONSO, Alcilia; MORAES, Michele de. Arquitetura Piauiense. Teresina: Edufpi. 2009

AFONSO, Alcilia; Arquitetura em Teresina: 150 anos. Da origem à contemporaneidade. Teresina: Gráfica Halley. 2002

IPHAN- PI. Estabelecimentos das Fazendas Nacionais do Piauí. Dossiê de Tombamento. Volume 1. IPHAN. Superintendência do Piauí. Teresina: Abril de 2008.

SILVA FILHO, Olavo Pereira da. Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhy. Belo Horizonte: Ed. do autor, 2007.